Jogo de abertura do Mundial pode mudar de endereço; discussão sobre mudança de planos vai ocorrer nos próximos dias 3 e 4, quando a Fifa e o Comitê Organizador Local terão de enfrentar a realidade durante reunião decisiva na Costa do Sauípe; sorteio de grupos ocorre no dia 6; Arena Corinthians sofre diferentes interdições após acidente que matou dois operários; ninguém sabe nem mesmo quando obras poderão ser retomadas; Andres Sanchez perdeu credibilidade; Joseph Blatter continuará confiando nele?; na capital federal, arena Mané Garrincha passou por todos os testes ao sediar abertura da Copa das Confederações e vários jogos do Brasileirão, quase sempre lotado
247 – A uma semana do sorteio das chaves da Copa do Mundo, na Costa do Sauípe, Bahia, e a 195 dias do pontapé inicial, o destino do jogo de abertura está prestes a mudar. Tirar a partida inaugural do Itaquerão, em São Paulo, e levá-lo para outra arena esportiva é a decisão mais difícil a ser tomada pela Fifa até aqui, mas a verdade é que ela vai se tornando inevitável.
Os planos que faziam da Arena Corinthians o palco do jogo inicial foram abatidos sob o peso das toneladas de ferro e concreto idas chão no acidente que matou dois operários no início desta semana. Todas as contas de chegar estão sendo refeitas, mas não há a mínima base para se saber, afinal, quando o estádio ficará pronto.
Neste momento, nem mesmo o trabalho de retirada dos escombros pode ser feito. As perícias que estão sendo realizadas, da parte da Polícia Científica e dos técnicos em engenharia, impõem a manutenção exata de que tudo fique como está. Na quinta-feira 28, o Ministério Público interditou todos os oito guindastes da construtora Norberto Odebrecht em operação no canteiro de obras. A medida foi tomada após o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil divulgar que havia notificado a empreiteira sobre problemas na manutenção dos equipamentos. Antes que todos os documentos sobre as manutenções tenham sido apresentados pela empresa ao MP, nada poderá voltar a funcionar.
Numa frase, o presidente do Sindicato Nacional dos Arquitetos e Engenheiros, José Roberto Bernasconi, fez uma comparção demolidora sobre o quadro no Itaquerão: "No Rio de Janeiro, a implosão do viaduto Perimetral levou menos de 30 segundos para ser feita, mas os trabalhos de limpeza dos escombros irão demorar 90 dias. Engenharia pesada funciona assim".
Ou seja, quaisquer prazos que se estabeleçam para a recuperação do Itaquerão partem de um problema inicial: não é possível saber, agora, nem mesmo quando as obras poderão ser retomadas.
Nesse quadro, o Comitê Organizador Local (COL) e a Fifa se reunirão, nos dias 3 e 4 de setembro, em Sauípe, para atualizar os planos sobre o evento que vai atrair a atenção de bilhões de pessoas ao redor do mundo. No encontro, a pauta sobre a possivel substituição do Itaquerão necessariamente será colocada sobre a mesa. É quase impossível que, nesse prazo inferior a uma semana, o quadro real no Itaquerão esteja aclarado. A pergunta que não quer calar é: será possível confirmar, nas condições atuais, o Itaquerão como sede da abertura? Quem garante?
Tem-se, na questão da garantia sobre os novos prazos, mais uma questão complicada: a credibilidade também se perdeu em meio aos escombros. Apesar de não ter cargo formal nem no Corinthians, nem na construtora Odebrecht, o vociferante Andrés Sanchez tem evitado tocar na possibilidade de o Itaquerão perder a chance de abrir a Copa. Mas foram muitas as suas declarações anteriores de que não fazia questão nenhuma de sediar o evento. Irônico e desafiador, Sanchez falou bem mais de uma vez que o Corinthians tinha mais a perder do que a ganhar com a ampliação da capacidade de seu estádio, para atingir a marca de 62 mil pessoas sentadas como exige a Fifa. No contexto do acidente, o projeto de arquibancadas móveis, aplicado para fazer o estádio apto a abrir a Copa, vai sendo durante questionado.
Colabora para a Fifa decidir mudar a sede da abertura da Copa em 2014 o desempenho apresentado pelo novíssimo estádio Mané Garrincha, em Brasília. Palco da abertura da Copa das Confederações, ele passou com louvor pelo teste do chamado Padrão Fifa. Além disso, com excelente estrutura de mobilidade urbana à sua volta, tem sediado diversos certames do campeonato brasileiro, sempre com lotação máxima. À exceção de brigas entre torcidas, combatidas com medidas duras pelo governo do Distrito Federal, que proibiu os brigões de voltarem ao estádio, o Mané Garrincha é candidato natural a herdar do Itaquerão a abertura da Copa.
Para o governo brasileiro, levar o jogo inicial para a capital federal só traria ganhos. Além de mostrar ao mundo a cidade projetada por Oscar Niemeyer e Lucio Costa, haveria a segurança em relação à experiência acumulada pelos operadores do Mané Garrincha. Além disso, o jogo inaugural atrai chefes de Estado, o que faz de Brasília uma escolha natural.
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