Aconteceu o óbvio: agindo de acordo com a lei, vice-procuradora da República, Ela Wiecko, recomendou ao Supremo Tribunal Federal que Cristiano Paz, ex-sócio da DNA, seja transferido para Belo Horizonte, onde reside sua família; em breve, o mesmo acontecerá com todos os réus, o que comprova o desperdício da decisão midiática de Joaquim Barbosa, que levou a Brasília todos os presos num avião da Polícia Federal; uma decisão contrária à lei e onerosa para os cofres públicos também criticada por Marco Aurélio Mello
Da Agência Brasil
Brasília – A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou hoje (19) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável a transferência de Cristiano Paz, condenado a 17 anos e oito meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão, para Belo Horizonte (MG). Paz e os demais réus que tiveram a prisão decretada pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa, estão presos, em regime fechado, na Penitenciária da Papuda, em Brasília.
Na primeira manifestação da PGR a favor da transferência de um preso condenado no processo do mensalão, a vice-procuradora-geral da República, Ela Wieko, disse que Cristiano Paz tem direito de cumprir a pena próximo da família e de amigos. "Conclui-se que as melhores condições para a reinserção social do apenado serão obtidas através do cumprimento da pena em local próximo à residência de sua família e amigos, o que possibilita também o pleno exercício do direito de visita”, ressaltou a procuradora.
Além de Paz, seis réus foram transferidos de Belo Horizonte para Brasília no sábado (16) e também podem pedir para cumprir a pena na capital mineira: José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural; o publicitário Marcos Valério; Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural; o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG); Ramon Hollerbach,ex-sócio de Valério e Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério.;
Dois réus se entregaram em São Paulo: o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-presidente do PT e deputado federal (SP) José Genoino. Eles também pediram para cumprir pena nas suas cidades de origem.
Leia ainda reportagem em que o ministro Marco Aurélio Mello critica a transferência dos presos para Brasília:
Marco Aurélio critica transferência de condenados no mensalão para Brasília
Da Agência Brasil
Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, criticou hoje (19) a transferência dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, para Brasília. As prisões de 12 réus foram decretadas na sexta-feira (15) pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Sete réus que se apresentaram em Belo Horizonte (MG) e outros dois que se entregaram em São Paulo foram transferidos, no sábado (16), em um avião da Polícia Federal. O único foragido é o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.
De acordo com o ministro, as prisões devem ser cumpridas nas cidades onde os condenados moram para que eles possam ficar perto da família. “Eu até hoje não entendo por que eles vieram para cá, para Brasília. O cumprimento se dá onde o réu, o reeducando, e tomara que todos saiam reeducados, onde o reeducando tem raízes, tem domicílio. Porque se pressupõe que ficando mais próximo da família vai haver a assistência, que é importante para a ressocialização” defendeu o ministro.
Sobre a fuga de Henrique Pizzolato para a Itália, Marco Aurélio disse que é preciso “compreender a angústia de quem está condenado”. Pizzolato é considerado foragido pela Polícia Federal. O nome dele foi incluído na lista de procurados em mais de 190 países.
“É insito [inato] à pessoa tentar escapar, principalmente conhecendo as condições desumanas das nossas penitenciárias. Então, como ele tinha dupla nacionalidade, ele saiu do Brasil para se ver livre do que seria o recolhimento a uma das penitenciárias. Isso nós precisamos compreender”, disse o ministro do STF.
No sábado (16), um avião da Polícia Federal (PF) trouxe para Brasília nove condenados que se apresentaram em São Paulo e em Belo Horizonte. Sete réus apresentaram-se à Polícia Federal em Belo Horizonte (MG): José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural; o publicitário Marcos Valério; Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural; o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG); Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios de Marcos Valério; e Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério.
Dois réus entregaram-se em São Paulo: o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-presidente do PT e deputado federal (SP) José Genoino.
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