terça-feira, 15 de julho de 2014

André Justino*: "São Lourenço anda melhor de metrô"

Por André Justino*
Não tive a oportunidade de ver São Lourenço da Mata ser cortada por trens de passageiros. Ainda menino, eu vi na ferrovia que segue pelo centro da cidade, os trens de carga passando ou ainda, lá da casa em que cresci no Parque Capibaribe ouvir a buzina das locomotivas. Na velocidade em que crescemos,eu e tantos outros filhos dessa terra, ano após ano iam diminuindo o número de conduções férreas, até que a via, que ainda existe,deixou de ser usada.


Se no passado, ainda antes de minha infância, trem era sinônimo de progresso. Com a desativação das ferrovias da Zona da Mata norte e sul e as duplicações das rodovias BR 232 até Caruaru e 408 até Carpina, apostar nesse modal de transporte parece coisa do passado, algo sem sentido. Mas, circular pela Região Metropolitana de ônibus é constatar que coisa sem sentido é as cidades e o Estado brasileiro continuar despejando rios de dinheiros em rodovias, em beneficio do excessivo uso de veículos particulares, que propicia ao cidadão incontáveis horas em engarrafamentos ou das empresas rodoviárias, que são um exemplo de como se desrespeitar o usuário, com poucos ônibus, caros e absurdamente desconfortáveis.

Diante da imobilidade urbana que vivemos, uma luz no fimdo túnel se apresenta. Pessoas que assumem em seu cotidiano a reflexão da importância do transporte público de pessoas para as cidades, resolveram unir-se em prol da reativação da malha ferroviária da Mata Norte, entre as instituições estão a ONG Amigos do Trem e o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco, somados a indivíduos que já se mobilizam nas cidades beneficiadas.

Interesses terão de ser confrontados, a exemplo da conhecida família Chaves, que em São Lourenço da Mata comanda a Mobibrasil. A proposta inicial é de reativar a malha férrea e adequá-la, via e estações, ao transporte de pessoas que por fim se integra com o sistema metroviário do Recife. São Lourenço, Paudalho e Carpina ficam entre as cidades que seriam beneficiadas diretamente, abrindo oportunidades de acessibilidade pública a um baixo custo e retorno no desenvolvimento econômico, turístico e cultural da região.

O tema mobilidade urbana nunca teve uma centralidade tão grande, e não há alternativas para superar os gargalos, sem que se enfrentem os interesses dos que se beneficiam do caos que vive as cidades. A começar pela relação promiscua entre governos/candidatos e empresários rodoviários, por meio dos financiamentos de campanha. E em São Lourenço da Mataquantas vezes não se viram dobradinhas eleitorais compostas entre o Prefeito Ettore Labanca e o Deputado Federal José Chaves? Transporte público deve ser enxergado como um serviço e não como um negócio, é um direito fundamental que dá acesso a outros direitos, como educação, saúde, trabalho, etc.

É possível que São Lourenço tenha metrô/trem, mas para que isso aconteça é necessário o envolvimento direto da população nesta reivindicação. Do contrário, o jogo de interesses financeiro continuará prevalecendo e a população, entupida nos ônibus, perdendo.


*André Justino é jornalista e Presidente do PSOL em São Lourenço da Mata

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