terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Carnaval de Olinda 2015 pode ter mudanças

Entres as agremiações a possibilidade foi recebida com preocupação


Folha

As agremiações carnavalescas de Olinda poderão ter que pagar por danos ao patrimônio público durante os desfiles de 2015. O projeto que pede alterações na lei 5306/2001, que discorre sobre o Carnaval da cidade, foi enviado à Câmara dos Vereadores, pela prefeitura do município, e já será votado na próxima quinta-feira (18). Entres as principais mudanças sugeridas pelo Executivo estão a criação de um núcleo de coordenação do evento e a determinação das ruas por onde os blocos e troças poderão passar. De acordo com a Comissão de Cultura da cidade, as alterações foram consideradas sem diálogo com as instituições carnavalescas.


"A mensagem 036 pede a alteração da lei 5306/2001, mas não houve conversa com o conselho de cultura ou associações carnavalescas. Por isso, convocamos uma audiência pública para a próxima quarta-feira", adiantou o presidente da Comissão de Cultura, o vereador Arlindo Siqueira. O encontro, segundo o legislador, pretende debater a solicitação antes que o projeto seja votado. "Nesse encontro, vamos mostrar as alterações que a prefeitura está propondo e expor nossas emendas, além de colher da sociedade que faz o Carnaval de Olinda sugestões que podem ou não concordar com as mudanças", acrescentou o vereador.
Siqueira continuou ressaltando que as sugestões da gestão municipal não são objetivas e precisam de mais esclarecimento. "Pedem a criação do núcleo de coordenação do Carnaval, mas não definem como esse núcleo funcionará. Quer transformar a subvenção social em ajuda financeira, mas o Executivo não determina como será dada essa ajuda", destacou.
Entres as agremiações carnavalescas, a possibilidade de tais mudanças foi recebida com preocupação. Os tradicionais blocos temem pelo inevitável prejuízo que sofrerão caso as medidas sejam acatadas pela Câmara dos Vereadores. O presidente Clube de Alegoria e Crítica O Homem da Meia-Noite, Luiz Adolpho, se mostrou apreensivo, mas preferiu não polemizar o assunto. "Prefiro estudar mais a possível mudança. É muito cedo para fazer qualquer colocação", avaliou.
Já o presidente do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, Erivelton Paes Barreto, classificou as mudanças como absurdas. Barreto observou que várias ruas que são corredores importantes para os desfiles não estão na lista da prefeitura. "A rua Prudente de Morais é importantíssima e não está entre as que serão liberadas. Vale salientar que as agremiações já são prejudicadas todos os anos por parte da multidão. São peças avariadas, instrumentos danificados. Tudo isso causado pela multidão. A gente não pode pagar por um evento do povo", considerou.
    O Grupo Artístico Percussivo Conxitas também se pronunciou. A presidente Eugênia Lima revelou que mesmo tendo mais de três anos de existência, nunca recebeu o auxílio. "Eles querem caução para cobrir os prejuízos da prefeitura, mas quem vai cobrir os prejuízos das agremiações? O Conxitas já desfila há dez anos e não recebe a subvenção. Não temos apoio e, agora, teremos que pagar. Isso é um absurdo. Os desfiles são tradicionais e precisam de apoio, não de tantas restrições", disparou.

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário