Em tempos de outrora, mas não a muito tempo, as festividades
juninas eram democráticas. Jovens reuniam-se trinta, sessenta dias antes da
comemoração para os famosos ensaios de quadrilhas. Não havia vestimentas nestes
ensaios... Havia brincadeiras, paqueras, risos e muita música.
Tocavam nas “radiolas” Phillips, os vinis de músicas Juninas que
se perpetuam até dias de hoje. "Olha pro céu meu amor"... "O balão vai subindo"... Entre outras canções apropriadas ao momento,
a idade e ao respeito com os mais velhos, estando eles presentes ou não. Eram
tempos negros para nossa política nacional, mas isso pouco importava aos pré e adolescentes
que ali se divertiam.
Durante as festividades de São João, democraticamente distribuíam-se
fogueiras em quase a totalidade das casas e as portas estavam abertas. Pais e
avós sentados nos terraços ou nas calçadas, observavam as brincadeiras dos jovens, sempre maliciosos, como sempre
coube a efervescente adolescência. “Alavantu... Anarriê...” Gritavam os puxadores das quadrilhas onde todos participavam animadamente. Acredite... Isso não é
saudosismo.
Hoje burocratizaram nosso São João. Virou mais um “business”
onde o lucro sobrepõe-se ao cultural e as músicas tradicionais deram lugar aos “espetáculos
estrangeiristas” como diria Ariano Suassuna , onde Chitãozinho e Xororó ocupam o lugar de nossas raízes mais
sólidas e nossas quadrilhas viraram “shows” aos moldes de desfiles carnavalescos.
Elitizaram as brincadeiras juninas impondo desta forma que quem não pode se transportar
para cidades distantes como Gravatá, Caruaru ou Campina Grande perde a
oportunidade de deliciar-se de uma das mais tradicionais festas nordestinas.
Atrações mirabolantes e midiáticas estão em vigor... E o povo, as pessoas, os
jovens... Apenas assistem as apresentações.
Burocratizaram nosso São João... Tornaram-no um negócio... E
tudo isso em função do lucro fácil para poucos.
“Alavantu” companheiros... Que a vida não tem ensaio.
Magno Dantas/blogueiro
Caro Magno,
ResponderExcluirRealmente, a vida não tem ensaio. (Mas muita gente não pensa assim e, aí, "quebra" a cara.) Felicitações pelo belo e realista texto do seu artigo.