Muito mais do que o atendimento a
população, políticos em sua maioria quando eleitos, fazem coisas
inimagináveis. A manutenção do poder é o maior de seus objetivos. Desfilam garbosamente em carros caríssimos pelas ruas, vielas e avenidas, transpassando buracos e mal feitos como se não
existissem. Na evidente contra mão da decência, assim como diz Jessiê Quirino
em seu famoso texto denominado “comício
de beco estreito” as promessas correm soltas, a vida copia o poeta: Não faltam “locutor tabacudo, De “converseiro” comprido, em alto-falante rouco para espalhar o alarido.” Entre as rádios e blogs locais. “Converseiro cumprido" não
falta.
Mas o alicerce da reeleição (ou
eleição, desculpem-me pela desatenção) não se baseia no "converseiro" mas nas
promessas. Assim como na vida real, Jessie transpassa o imaginário e coloca-se
como mais concreto do que um bloco feito de cimento, pedras e aço quando
afirma: “... a “pisadinha” é essa: Três
promessa por minuto.”, isso sem falar, evidentemente dos babões de plantão, alguns corrutos e “capanga”... Para não perder
o costume.
O alardeado é ensurdecedor quando o assunto é reformar o cemitério. Numa
ebulição novelesca, facilmente nos recordamos do folhetim passado em Sucupira
onde Odorico Paraguaçú tenta de toda forma inaugurar o Campo Santo Municipal. A
dura diferença é que em nosso caso, pela falta de assistência médica, remédios
e tratamento adequado... Pela falta de segurança e o enorme trafico ilegal de drogas que se espalha no seio da sociedade o que não nos falta são mortos a serem sepultados onde, evidentemente,
reformas e maquiagens servirão para agradar aos vivos, visto que mortos não
votam... Ou ao menos não deveriam.
As vésperas do dia de finados, a
prática “mididática” foca no Cemitério... Como se nos outros 364 ou 365 dias do
ano os mortos fossem apenas ossos engavetados.
Havemos de lembrar que campanhas
passam e a dura realidade volta a tomar conta de nosso cotidiano, afinal e
conforme também diz Quirino (Jessiê), “Terminada a campanha, Faturada a
votação, Foda-se povo, Promessa, meta e programa”... É só mergulhar na “Brahma”
(o que aqui tem evidentemente um sentido
figurado) E curtir a posição.”
Poetas populares são sempre muito
incisivos... Mas assim como eu... São extremamente verdadeiros.
Obs: Peço desculpas pela palavra
feia no texto... mas faz parte do poema e sem ela... ficaria sem sentido.
Magno Dantas - Editor
"Não esperem de mim senão a verdade)

Excelente o texto. Também em sentido figurado, o danado que quem inaugurou o cemitério de Sucupira foi o próprio prefeito, Odorico Paraguaçú. Ainda bem, numa obra de ficção.
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