domingo, 1 de novembro de 2015

EDITORIAL: "AS APARÊNCIAS ENGANAM"

Muito mais do que o atendimento a população, políticos em sua maioria quando eleitos, fazem coisas inimagináveis. A manutenção do poder é o maior de seus objetivos.  Desfilam garbosamente em carros caríssimos pelas ruas, vielas e avenidas, transpassando buracos e mal feitos como se não existissem. Na evidente contra mão da decência, assim como diz Jessiê Quirino em seu famoso  texto denominado “comício de beco estreito” as promessas correm soltas, a vida copia o poeta: Não faltam “locutor tabacudo, De “converseiro” comprido, em alto-falante rouco para espalhar o alarido.” Entre as rádios e blogs locais. “Converseiro cumprido" não falta.


Mas o alicerce da reeleição (ou eleição, desculpem-me pela desatenção) não se baseia no "converseiro" mas nas promessas. Assim como na vida real, Jessie transpassa o imaginário e coloca-se como mais concreto do que um bloco feito de cimento, pedras e aço quando afirma: “... a “pisadinha” é essa:  Três promessa por minuto.”, isso sem falar, evidentemente dos babões de plantão,  alguns corrutos e “capanga”... Para não perder o costume.

O alardeado é ensurdecedor quando o assunto é reformar o cemitério. Numa ebulição novelesca, facilmente nos recordamos do folhetim passado em Sucupira onde Odorico Paraguaçú tenta de toda forma inaugurar o Campo Santo Municipal. A dura diferença é que em nosso caso, pela falta de assistência médica, remédios e tratamento adequado... Pela falta de segurança e o enorme trafico ilegal de drogas que se espalha no seio da sociedade o que não nos falta são mortos a serem sepultados onde, evidentemente, reformas e maquiagens servirão para agradar aos vivos, visto que mortos não votam... Ou ao menos não deveriam.

As vésperas do dia de finados, a prática “mididática” foca no Cemitério... Como se nos outros 364 ou 365 dias do ano os mortos fossem apenas ossos engavetados.

Havemos de lembrar que campanhas passam e a dura realidade volta a tomar conta de nosso cotidiano, afinal e conforme também diz Quirino (Jessiê), “Terminada a campanha, Faturada a votação, Foda-se povo, Promessa, meta e programa”... É só mergulhar na “Brahma”  (o que aqui tem evidentemente um sentido figurado)  E curtir a posição.”

Poetas populares são sempre muito incisivos... Mas assim como eu... São extremamente verdadeiros.


Obs: Peço desculpas pela palavra feia no texto... mas faz parte do poema e sem ela... ficaria sem sentido.  

Magno Dantas - Editor
"Não esperem de mim senão a verdade)

Um comentário:

  1. Excelente o texto. Também em sentido figurado, o danado que quem inaugurou o cemitério de Sucupira foi o próprio prefeito, Odorico Paraguaçú. Ainda bem, numa obra de ficção.

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