terça-feira, 24 de novembro de 2015

Flanelinhas controlam vagas da Zona Azul na região central do Recife

Cartões, que custam R$ 1, são vendidos a R$ 2 pelos guardadores de carro. Prefeitura cadastrou flanelinhas, mas muitos ainda atuam sem crachá.


Flanelinhas atuam sem identificação no centro do Recife (Foto: Reprodução/TV Globo)


A região central do Recife conta com 2.500 vagas de estacionamento dentro da Zona Azul, sistema de controle de vagas em que o cartão custa R$ 1. Somente no Bairro do Recife, são 736 vagas neste sistema, quase todas controladas por flanelinhas, que cobram o dobro do valor, no mínimo, pelo cartão de estacionamento durante o dia. À noite, o valor cobrado é ainda maior, chegando a R$ 10 em algumas localidades.

No ano passado, a prefeitura cadastrou os flanelinhas, que só podem atuar no Bairro do Recife com um crachá de identificação, cobrado em fiscalizações desde janeiro. A medida visava diminuir as ameaças aos motoristas e cobranças abusivas. Na prática, no entanto, ainda há aqueles que esquecem o crachá e outros que sequer usam o documento.
A equipe do NETV 2ª Edição percorreu as ruas do bairro e mostrou os flanelinhas trabalhando livremente, sem identificação, na Rua da Moeda, Apolo e Mariz e Barros. A situação encontrada é semelhante à que ocorre na Rua do Bom Jesus, onde alguns até ficam com a chave dos carros e saem para procurar vaga para os donos.
A corretora de seguros Cláudia Santos conta que se sente ameaçada e, por isso, acaba cedendo, pagando sempre aos flanelinhas. “Eles ameaçam, intimidam você. Falam que, se você não der, eles podem arranhar seu carro, você pode não sair do jeito que você chegou... É bem forte, bem doloroso”, relata.
Flanelinhas atuam sem identificação no centro do Recife (Foto: Reprodução/TV Globo)Flanelinhas atuam sem identificação no centro do Recife (Foto: Reprodução/TV Globo)
O gerente de expansão Paulo Gomes sempre deixou o carro com os guardadores, muitas vezes sem o freio de mão puxado, para que o flanelinha pudesse ajustar o veículo à vaga. Ele conta que nunca teve problemas, embora não soubesse quem eram aquelas pessoas. “Eles estavam sem crachá, não tinham nada. Mas me davam [o cartão d]a Zona Azul”, diz.
O guardador de carros Roberto José da Silva foi flagrado pela reportagem trabalhando sem o crachá, mas afirmou que tinha esquecido a identificação em casa. “Eu fiz o cadastramento da prefeitura, mas saí de casa atrasado e esqueci”, se desculpa.
Lucas Cavalcanti é administrador de empresas e reclama que o trabalho dos flanelinhas não facilita a procura de vagas. “Deveria ter outra maneira para os motoristas estacionarem. Estou aqui há um tempo e ainda não achei vaga. E, se de dia não tem, de noite é pior ainda”, garante.
Trabalhando há 30 anos no Bairro do Recife, o guardador de carros Luís Carlos da Silva acredita que se é regra, é preciso ser obedecida – por isso, nunca esquece a identificação. “No começo dos crachás, vinha a fiscalização. Mas não está mais vindo”, denuncia.

A secretaria reforçou ainda que fica a critério do cidadão pagar o flanelinha e que, danos materiais e extorsão, por exemplo, devem ser denunciados à delegacia da área.
Respostas

A Secretaria de Mobilidade do Recife informou que tem estudado maneiras de melhorar a Zona Azul e que a análise do projeto está em andamento. Sobre os flanelinhas, a secretaria explicou que cadastrou 118 pessoas e que, numa fiscalização no dia 25 de outubro, foram abordados 46 guardadores. Destes, 18 foram levados para a delegacia porque trabalhavam sem estarem cadastrados.

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