segunda-feira, 30 de novembro de 2015

MP diz que risco de nova catástrofe em Minas é "acentuadíssimo"

Justiça dá prazo para mineradora Samarco adotar medidas emergenciais, entre elas, o esvaziamento da Hidrelétrica Risoleta Neves

Barragem de Germano pode se romper, segundo Ministério Público de Minas




O “perigo iminente” do rompimento das barragens de Germano e de Santarém e das estruturas remanescentes (diques 2, Sela, Tulipa e Selinha), em Bento Rodrigues, levou a Justiça a determinar que a mineradora Samarco apresente à Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Minas Gerais e ao Departamento Nacional de Produção Minerária (DNPM), no prazo de três dias, um plano de emergência para evitar que a tragédia de 5 de novembro se repita, causando mais mortes e destruição ambiental. A decisão é da1ª Vara da Fazenda Pública Estadual. Conforme determinação do juiz Michel Curi e Silva, acatando ação cível ambiental impetrada pelo Ministério Público de Minas Gerais e governo de Minas Gerais.

Na solicitação, os promotores informam que as estruturas remanescentes na Mina do Germano não apresentam segurança satisfatória e se baseiam em estudos técnicos feitos por determinação do MP. Também alegam que consta dos autos do inquérito uma avaliação geotécnica feita pela própria Samarco, que concluí que “as estruturas inspecionadas apresentam-se comprometidas”. Para o MP, o risco de ocorrer catástrofe ainda mais devastadora é “acentuadíssimo.”

Uma das medidas que a Samarco deve adotar, de acordo com a determinação da Justiça, é esvaziar, até esta segunda-feira (30), a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, em Santa Cruz do Escalvado, a 100 quilômetros de Mariana. O prazo dado começou a contar na sexta-feira, quando os réus foram notificados da liminar da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual. A estrutura da represa será usada para amortecer nova onda de lama em caso de eventual rompimento de alguma das barragens do Complexo de Germano. 

Repovoamento
O repovoamento do Rio Doce, dizimado com a morte de mais de 11 toneladas de peixes, deve começar depois das chuvas de verão com a volta de espécies mais resistentes, como carás, lambaris, bagres e traíras, segundo especialistas. Mas o retorno de outras espécies, particularmente as migratórias, será demorado. Isto porque o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas, ocorreu menos de uma semana depois do início da piracema, período em que os peixes subiriam o rio para desova. Com a tragédia, muitas dessas espécies, que começariam a reprodução durante a temporada de chuvas – quando a vazão sobe, geralmente em dezembro e janeiro –, morreram antes de desovar.

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