Por Marco ALBANEZ*
Poucos se lembram de uma frase dita por Roberto Jefferson ao então
poderosíssimo José Dirceu quando “estourou” o escândalo do “mensalão”, cuja
“ratoeira pegou alguns ratos” que, aparentemente, eram, ou seriam, os
salvadores da pátria, mas que não passavam de gatunos: “Vossa excelência
provoca em mim os instintos mais primitivos”. Portanto, todos aqueles que
convivem demais ou ainda admiram os “monstros” do Partido dos Trabalhadores –
repito, votei em Luiz Inácio Lula da Silva de 1989 até 2002 –, precisam
entender que a tortura apenas começou.
Pensei nisso, com mais consciência, primeiro, após o humorista Marcelo
Madureira ter dado uma resposta ao governo pelo qual tanto lutou: “Àqueles que
querem nos amedrontar com ameaças e intimidações, continuaremos respondendo a
cada dia, a cada hora, a cada minuto, com as nossas únicas e legítimas armas:
as palavras, as ideias e os princípios”. Depois, ao ler um artigo – “Au gratin”
– no Jornal do Commércio de Dayse Vasconcelos Mayer (professora universitária),
para o qual escreve todos os domingos. Impressionante. Fala sobre tortura de
uma maneira tal que “me deixou aterrorizado”. Segundo ela, “a idade média fez
uso de instrumentos de tortura altamente sofisticados no período da Santa
Inquisição”. Mas, por obra e arte do governo petista, “o século 21 encontrou
outras variantes de agonia, entre elas as crises econômica e política” (e
moral, acrescento). E cita a demissão em massa dos trabalhadores, o preço da
gasolina, das manchetes negativas que lê nos jornais, que até na hora do almoço
(pouco farto, ao contrário de antes), começa a tremer ao ver sobre a mesa
contas de luz, condomínio, plano de saúde, telefone, internet, seguro do carro,
cartão de crédito, mesada dos filhos, conta do dentista, mensalidade do
colégio... e chega a uma conclusão estarrecedora: o que percebe já não dá mais
para honrar as despesas. Como ela não tem o direito de “pedalar”, descobre que
foi colocada na roda da tortura: maldição, encrenca, imbróglio, políticos... e
conclui dizendo que “Por isso fico na enseada esperando que os dois principais
atores acabem o quiproquó”. Vai esperar muito, minha cara, pois um dos atores,
já pensando em ser o próximo papa – “Luiz LI” –, se acha o dono do Brasil e
pensa até em mandar “prender” aqueles que deveriam prendê-lo.
Para as pessoas que não aguentam mais o PT no governo disseminando ódio
e mentiras pelo país, apelando para baixarias, golpes baixos, não é necessário
responder com a mesma moeda. É preciso preservar seus valores e princípios;
insistir na construção de um Brasil realmente democrático, com respeito às
diferenças (dentro dos limites da própria sobrevivência da tolerância) sempre
de forma civilizada. Sei que não é fácil. O PT desperta em muitos o instinto do
revanchismo e leva-nos, muitas vezes, a reagir com indignação. Seria esse o
único caminho para protestar? Não! É necessário mais atitude do povo
brasileiro, pois sem ela esse governo corrupto vai continuar torturando a
população e sairá vencedor: e se tivermos que jogar como ele, é como aceitarmos
a premissa de que os fins “nobres” justificam quaisquer meios. E em sendo
assim, o país já perdeu.
Por analogia, num jogo de futebol, há quem ganhe aderindo a malandragem.
Em outras palavras, só se preocupando com a vitória, não importando o seu
custo. Não há o fair play moral. Ou
seja, como palavras de comentaristas esportivos, esse desgoverno do PT seria o time que não
devolve a bola após ela ser colocada para fora de propósito para o atendimento
de um jogador machucado. Seria o jogador que morde o adversário, ou que faz gol
com a mão, ou ainda simula, escancaradamente, um pênalti. E faz tudo isso com o
orgulho do “malandro”, com o regozijo do “esperto”, que sempre quer tirar
vantagem em cima dos demais. (Coitada da população do “meu” país.)
Por isso, há de se entender que é preciso resistir, respeitando as
regras do jogo, lutar, mas dentro de uma escala de valores que sempre norteou
as lutas memoráveis ganhas pelo Brasil. Se o outro lado chuta a canela o tempo
todo e mete a mão na bola, não é por isso que vamos jogar da mesma forma. Um
pacto diabólico desse, de aceitar o “vale tudo” em prol de uma meta louvável, é
um caminho escorregadio sem retorno. O abismo sorri de volta... e lá no fundo
dá para ver o reflexo desse governo sacana e monstruoso que, não tendo a quem
mais enganar, vive perturbado e perturbando a maioria dos seus adeptos
salafrários, que por serem o que são e por estarem onde estão não são capazes
de deitarem num sofá e descansarem em paz e/ou dar um cochilo sossegado. Por
quê? A consciência não deixa. Pior:
enquanto isso, os nervos de muitos brasileiros estão à flor da pele. Há risco
concreto de caminharmos na direção bolivariana, como fizeram a Venezuela, a
Bolívia e a Argentina, cujos governos são camaradas do PT, ou, numa frase que
parece ser, mas não é, mais decadente, farinha do mesmo saco. O complicado é
que, nesse quadro, é tentador partir para medidas desesperadas, ficar muito
paranoico, agressivo... e até com pessoas, quem diria, orando pela intervenção
militar, o que seria a morte definitiva (pleonasmo?) da nossa já enfraquecida
“democracia”.
Sabe, leitor, às vezes quero me “comportar”, ser uma pessoa normal, mas
não consigo, pois os exemplos de figuras públicas “esmagam” os meus desejos de
ser e de pensar.
Como entender o comportamento do ex-presidente Lula – a segunda maior
decepção política da minha vida –, que andava um tanto sumido, mas agora
resolveu fazer ameaças “veladas” e incitar até mesmo o que poderia ser uma
guerra civil no país? Pois é. Em ato supostamente a favor da Petrobras, e na
prática a favor da quadrilha instalada na estatal, ele atacou a imprensa,
repetiu que estão tentando “criminalizar” o PT, voltou a mencionar que a elite
não suportaria a ascensão social dos mais pobres, e ainda citou o MST como
braço armado pronto para enfrentar esses “inimigos”. Mas, que inimigos? Que
elite? Esse cara é um doente, megalomaníaco, narcisista, egocêntrico, cínico,
mentiroso... Ou ele “ainda não entendeu” que os nossos inimigos são ele e os
seus “cumpãnheros”?
Já do outro lado, Dilma Rousseff, cansada, desmoralizada, depressiva, a
“rainha sem trono” ou a presidenta que não manda mais nem na cozinha do
palácio, tem que levantar a cabeça e dizer: “eu ganhei as eleições e estou
governando o país”? Piada! E ainda: depois de ouvir um apelo do líder do
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile – pústula de
mão cheia –, para que Lula volte às ruas a fim de liderar manifestações em defesa da Petrobras,
o ex-presidente cobrou uma reação dos militantes do seu partido e dos
sindicatos. Não há mais reação, “excelência”. Aliás, que exército é esse de
Stédile? Como um ex-presidente da República chama de exército um grupo de
invasores criminosos liderados por um sujeito que, em qualquer país sério do
mundo, estaria cumprindo pena atrás das grades por todos os seus crimes? O
escárnio com as leis do país, vindo de um ex-presidente, é uma afronta ao
estado de direito. A moral da história? Lula assume o que todos já sabiam: o
MST é uma espécie de exército paralelo. E fica por isso mesmo? Ora, o povo tem
o governo que merece!
Uma famosa frase de Max Weber, economista,
sociólogo e filósofo alemão, nunca esteve tão atualizada:
“Política
não é uma partida de futebol em que facções torcem para um time ganhar e outro
perder. Na política, se o jogo não for bem jogado, todos torcedores perdem,
menos os dirigentes.”
*Marco ALBANEZ
É
advogado (OAB-PE nº 7.658) e jornalista (AIP nº 2.163 e DRT/PE nº 3.271)
Amigo Marco, "Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la." (Volteire)
ResponderExcluirCaro Magno: não sabia, mas imaginava que você não deixaria "passar em branco" o meu Artigo sem um comentário, pois sei das suas opiniões - as quais respeito. O que não pensava é que ele fosse essa famosa frase de Volteire, fato que me deixa deveras lisonjeado, sobretudo com um posicionamento partindo de você, a quem tenho a maior consideração e apreço. (Mas não esqueça: não "abro mão" de uma vírgula do que disse.) Muitas pessoas não entendem, mas democracia é isso. Abraço fraterno.
ExcluirPrezado Amigo.
ResponderExcluirEstamos no fundo do poço. E ainda chega esse Sr. cognominado por Lula, dizer que o PT está sendo vítima de artimanhas politicas, etc... Torço para que nós, nas próximas eleições não fiquemos sujeitos a outros Lulas, Dilmas, Dirceu, Renan, ..., não podemos ceder a esta tentativa de lavagem cerebral imposta pelo PT, não podemos passar uma borracha em tudo que está acontecendo no país. Rogo tempos melhores para todos nós. Forte Abraço. Anselmo Gouveia.
Muito bem colocado, como sempre !!
ResponderExcluirDr. Marco Albanez, mais uma vez seu pronunciamento vem mostrar com lucidez a triste realidade por que passa o nosso Brasil. É de gente do seu caráter que nossa Democracia está precisando. Vamos à luta !!!
ResponderExcluirabraço,
Billy