quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Depoimentos à CPI confirmam oferta de cursos suspeitos no Interior

A CPI que Apura a Atuação Irregular dos Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de Pernambuco, presidida pelo deputado Rodrigo Novaes (PSD), realiza Reunião Ordinária.
DEPOIMENTO – Colegiado ouviu depoimentos de diretores da Faculdade Anchieta
Diretores da Faculdade Anchieta, sediada no Recife, atestaram, nesta quarta (9), a oferta de cursos de extensão em quinze cidades do Interior. Os cursos da modalidade são o principal alvo da CPI das Faculdades Irregulares, por serem suspeitos de lesar milhares de estudantes em pequenas cidades do Estado. Os alunos são atraídos pela possibilidade de aproveitamento dos estudos para a obtenção do título de graduação – prática ilegal, no entendimento dos deputados –, mas a Anchieta nega a emissão de diplomas ao término dos cursos.

Na última reunião da CPI, representantes da Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso) haviam relatado terem sido procurados pela Faculdade Anchieta para diplomar egressos dos cursos de extensão da instituição recifense. Os gestores da Anchieta desmentiram o fato, e negaram qualquer relação com a Funeso – investigada por ilegalidades na operação.
Segundo os depoimentos, a Faculdade Anchieta tem hoje cerca de 820 alunos de extensão, distribuídos em 20 cursos, e 90 de graduação, matriculados em quatro formações. A entidade teria aumentado a participação na extensão após o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pedir a suspensão das atividades das Faculdades Extensivas de Pernambuco (Faexpe), em julho. Diretor-geral da Anchieta, Rodrigo Fortes apresentou compromisso assinado com o MPPE para receber estudantes da Faexpe dos cursos de Administração e Pedagogia, e utilizar os créditos para a emissão de diplomas de graduação no futuro.
O diretor acadêmico da Faculdade, Ivan Requena, relatou problemas para a captação de alunos para os cursos regulares de graduação, situação que teria gerado, inclusive, preocupação do Ministério da Educação (MEC) com a sustentabilidade financeira da instituição. “Há dificuldade de mercado na educação superior particular”, afirmou. Requena negou que a entidade já tenha aproveitado cursos de extensão para emitir diplomas, mas reconheceu que, segundo o termo assinado com o MPPE, o procedimento pode ser realizado no futuro.
Diretor de expansão da Anchieta, Gedalias Lima foi evasivo nas respostas à Comissão, mas garantiu que os alunos são informados claramente de que não terão diplomas de graduação garantidos após a conclusão dos cursos de extensão. “O procedimento é pedir a equivalência dos estudos em uma instituição de ensino superior. Ficam faltando ainda outras demandas para a graduação”, disse, acrescentando desconhecer quais seriam as demais exigências.
Veja notícia sobre cursos do senhor Gedalias no G1:

G1 - JFPE suspende divulgação de cursos de mestrado e doutorado da Uniderc

Os membros da CPI criticaram a atuação do Ministério Público do Estado, que intermediou compromisso entre ex-alunos da Faexpe e a Faculdade Anchieta para a emissão de diplomas através do aproveitamento dos créditos de extensão. “É a formalização da ilegalidade. Vamos entrar em contato com o Procurador-Geral de Justiça, porque isso denota desconhecimento da legislação educacional pelo MPPE”, lamentou o presidente da Comissão, deputado Rodrigo Novaes (PSD).
A relatora da CPI, deputada Teresa Leitão (PT), avaliou que o acordo com o Ministério Público fundamenta o procedimento irregular, e ainda observou que as faculdades pequenas têm recorrido à extensão como saída para equilibrar as contas. “A Anchieta está em franca decadência, porque não é possível manter-se com apenas 90 alunos de graduação. Os cursos de extensão são a tábua de salvação das instituições, mas nós parlamentares nos preocupamos com a qualidade da educação oferecida”, asseverou.
O colegiado prepara visita ao MEC, para relatar as irregularidades ao órgão e recomendar medidas contra as entidades irregulares, mas ainda não há data definida. A CPI ainda planeja reunião no Interior, também sem data marcada para acontecer.

2 comentários:

  1. O polo da fueso em camaragibe que funciona no antigo gradiente, também está irregular?

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  2. Onde houver graduação fora de Olinda está irregular.

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