quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PERNAMBUCANOS QUE FAZEM A DIFERENÇA

Antônio Nóbrega atrás das lentes

Antônio Nóbrega atrás das lentesFoto: Lucas Reginato/ 247

WALTER CARVALHO DIRIGE, NO VÃO DO MASP, DOCUMENTÁRIO SOBRE O MÚSICO, ATOR E DANÇARINO PERNAMBUCANO

22 de Novembro de 2011 às 21:06

A produção chegou às 9 horas da manhã para montar o set de filmagem. O vão livre do MASP aos poucos começou a se encher de câmeras, gruas e tripés. A partir do meio-dia os primeiros voluntários à figuração já apareciam, e foram, aos poucos, povoando o cartão postal paulistano. A equipe seria comandada por Walter Carvalho para a filmagem de um documentário sobre o multi-artista Antônio Nôbrega.

O próprio protagonista da cine-homenagem estava elétrico, entusiasmado em ver tanta gente. Não parava um só momento, e fazia questão de verificar constantimente se estava tudo nos conformes. Ele se mostrava contente em ver o número de pessoas em sua volta crescendo, todos querendo reverenciá-lo.

Nascido no Recife, Nóbrega estudou música erudita desde cedo e mesclou a formação clássica com influências populares. Dominando o violino, participou de diversas correntes musicais da década de 80. Experimentou, então, a dança, o teatro, e promoveu espetáculos que fizeram sucesso, como “A Bandeira do Divino”, “Mateus Misterioso” e “Figural” e acabou por ganhar prêmios importantes – Shell, APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Mambembe. Hoje, aos 59 anos, ele está a frente do Brincante, instituto que promove a arte e centro de referência sobre cultura brasileira.

Agora ele vai ter a oportunidade de ver nas grandes telas parte desse trabalho. O documentário, que vai receber o nome de “Brincante”, reúne referências do próprio autor. Um pequeno grupo de músicos marcou presença no MASP, animando cerca de 200 pessoas que se reuniram e fizeram, durante mais de uma hora, uma ciranda em torno de Nóbrega. Todos sob o comando de do cineasta de Central do Brasil e diretor de fotografia de Abril Despedaçado, Carandiru, entre outros.

A gravação chamou a atenção dos passantes na Avenida Paulista. Muitos curiosos se aproximavam, e alguns até mesmo entraram na dança. A chuva, entretanto, causou uma pequena turbulência, já que começou a cair sob os equipamentos de som e os instrumentos que tiveram de ser transferidos para a parte coberta da praça. Ao fim da música e da dança, após a correria causada pela chuva, o semblante de alívio estampava o rosto da produção, os figurantes se mostravam cansados após tanto pular. Já Nóbrega, por sua vez, ainda podia dançar muito mais. Afinal, há muitos anos que ele não para.

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