Patrícia Peregrino, professora de
História do Brasil na FUNESO há 23 anos. Pós - graduada em História do
Nordeste, canceriana, nascida na cidade de Olinda, mas com raízes profundas na
cidade de São Lourenço da Mata. Trabalha ativamente para a melhoria da educação
superior em São Lourenço da Mata, desde 1998, quando integrou o grupo de
fundadores da Fundação de Ensino superior de São Lourenço da Mata, depois na
Associação de Ensino Superior de São Lourenço da Mata, Instituição que
implantou o PROGRAPE em nossa cidade como associada e há três anos coordena
cursos de Pós - graduação em História do Brasil Contemporâneo e Psicopedagogia
– Clínica e Institucional através do Centro de Educação Madre Teresa/FUNESO,
localizado no Parque Capibaribe, em São Lourenço da Mata.
Blog MD - Bom dia proefssora Patrícia...
Profª Patrícia - Bom dia...
Blog M.D – Professora, qual a sua
relação com a cidade de São Lourenço da Mata?
Profª Patrícia:
Meu pai, o qual eu sempre tive muita
afinidade. Aliás, meu avô e seu pai, assim por diante. Minhas raízes datam de
muito mais de 200 anos aqui na cidade. Também estudei na escola do professor
Crescêncio de Goes (onde hoje se localiza o colégio Hermínio Moreira).
Lembro-me que na época as dificuldades eram enormes para o professor Crescêncio
manter sua escola funcionando. Passa-se na minha memória, como se fosse hoje,
as inúmeras vezes em que ajudei a retirar água da escola... Era um homem
admirável... eram tempos muito bons... De muita dificuldade, mas de lembranças
muito boas.
Blog do M.D – Então a senhora precisou
sair de São Lourenço da Mata para continuar seus estudos?
Profª Patrícia:
Não... Na verdade nós morávamos em
Olinda onde pude concluir meus estudos na FUNESO e em seguida assumi a cadeira
de História do Brasil... até os dias de hoje...
BMD – E quando foi que a senhora
retornou a São Lourenço da Mata?
Profª Patrícia – Nunca deixei de estar
em São Lourenço da Mata, desde que nasci. Finais de semana e férias eram sempre
aqui na casa da minha avó (mãe de meu pai) no alto da igreja, inclusive morei e
estudei em São Lourenço. Pude começar a me aprofundar mais nas questões da
educação em nossa cidade no ano de 1998 quando viemos implantar, sob a direção
do professor Magno a primeira instituição de ensino superior aqui na cidade.
BMD – Quais as razões levaram a senhora
e seu grupo, querer implantar na cidade uma faculdade?
Profº Patrícia – Quando chegamos a São
Lourenço da Mata para desenvolvermos o projeto, Magno, com quem sou casada há
27 anos, fez um documento que fazia parte dos projetos dos cursos que seriam
implantados, chamado de “carta consulta”. Lembro-me que na época, pude observar
que apenas 20% dos professores que estavam em sala de aula tinham graduação.
Fiquei estarrecida. Era com absoluta certeza o pior índice da região
metropolitana. Como eu poderia ficar indiferente a isso? Qualquer pessoa de bom
senso abraçaria a questão como nós fizemos. Infelizmente, apesar de muita luta,
o projeto não foi implantado pelo poder municipal que geria o município na
época.
BMD - Mas qual seria a real razão do
projeto não ter dado certo na época?
Profª Patrícia – Bem... ( sorrisos)
Este é um problema da qual só poderia abordar com mais tempo... O que posso
dizer é que depois de todos os atropelos ocorridos, finalmente entre os anos de
2000/2001 conseguimos implantar, através da Associação de Ensino Superior de
SLM – ASSESUP o PROGRAPE e então pudemos mudar substancialmente aquela
complicada situação. Mas o mais importante é que conseguimos realizar o
trabalho e hoje a educação de São Lourenço da Mata nada em “outras praias”:
conta com professores e gestores qualificados e as crianças e a sociedade, de
modo geral, agradecem. Por isso sinto-me extremamente feliz em participar, de
forma efetiva, desta parte da história da educação em nossa cidade.
BMD – Hoje a senhora apresenta seu nome
como pré candidata a vereadora em São Lourenço da Mata. O que a senhora espera
com essa atitude?
Profª Patrícia. – É verdade. Apresento
meu nome como pré candidata, mas sabendo das enormes dificuldades que terei em
fazer um quantitativo de votos que me faça ser eleita... Sou filiada e vice
presidente do PCdoB em São Lourenço. Já há muitos anos trabalho na base da
Deputada Luciana Santos e tenho uma grande sintonia com as convicções do
partido. Por uma questão de respeito as leis eleitorais não possível expor nada
neste momento...
BMD – Sou sabedor de que a senhora
defende a realização de debates públicos entre os candidatos (durante a
campanha, claro) a prefeitura de São Lourenço da Mata. Qual a razão, se
culturalmente essas práticas não são realizadas me nossa cidade?
Profª Patrícia. – No momento em que o
embate é público e o candidato expõe seus objetivos no, digamos assim, “cara a
cara”, depois de assumir a cadeira de prefeito, fica mais difícil de o eleito
se furtar a realizar as suas promessas de campanha. Ao mesmo tempo, a população
poderá exigir o cumprimento das promessas ou o afastamento do eleito, caso não
atenda a suas expectativas.
BMD
– Para finalizar, a senhora não acha que essa ação é um tanto quando radical?
Profª
Patrícia – Vivemos uma democracia plena. Plena nos direitos dos cidadãos e das
autoridades. E uma autoridade constituída não está acima das leis, assim como
qualquer cidadão. Então, democraticamente, o mesmo cidadão que elege, também
depõe. Quando o povo tiver a noção do poder que tem, as coisas melhorarão muito
para todos...

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