terça-feira, 26 de junho de 2012

Mendonça Filho: chamar PSB de alternativa é conversa pra boi dormir

POSTADO ÀS 20:43 EM 25 DE Junho DE 2012



Postulante à Prefeitura do Recife, o deputado federal Mendonça Filho (DEM) é um dos poucos nomes que ainda assume o posto de oposição à Frente Popular. Admitindo enfraquecimento do bloco com a mudança de lado do PMDB, Mendonça alfineta atitude do colega Raul Henry, que estaria se unindo á situação fingindo de oposição: "chamar PSB de "alternativa" é conversa pra boi dormir!", dispara.

"Foi uma surpresa!", dispara o democrata sobre a nota emitida pelo PMDB. "Existiam rumores, mas eu sinceramente não acreditava. Surpreendente. Lamentável, mas paciência. Vamos continuar no nosso espaço de oposição."

Na manhã desta segunda-feira (25) Mendonça já havia dito que estava como um "vietcong" lutando contra um poderoso império. Agora, chateado com a traição do PMDB às vésperas das convenções, Mendonça mostra não ter aceito os argumentos utilizados pelo PMDB para se unir à Frente Popular.

"Essa história de falar que o PSB é "alternativa", isso é conversa para boi dormir! A verdadeira "alternativa" é a oposição. O PSB é governo há 12 anos no Recife, com João Paulo durante oito anos e mais quatro com o vice-prefeito do Recife [o socialista Milton Coelho]. Então tanto o PT como o PSB representam o governo."

Há meses conversando em busca de um alinhamento, o bloco oposicionista chega às vésperas do fechamento das convenções ainda dividida. A situação era até cômoda, visto que não havia franco favorito e algum oposicionista deveria figurar no segundo turno. Mas tudo mudou quando Geraldo Júlio foi colocado como candidato do PSB e, apesar de "desconhecido", foi abraçado pelos partidos da Frente Popular.

O cenário passou a ter dois nomes fortes: Geraldo Júlio (PSB) e Humberto Costa (PT), deixando a oposição ameaçada de assistir a um segundo turno entre os referidos candidatos. A união do bloco se fez necessária e, num momento crucial, o oposicionista Raul Henry (PMDB) também passou para o bloco da Frente Popular. Agora os três oposicionistas terão novas reuniões para tentar uma união.

"Estou esperançoso [numa união]. Indepdendente de qualquer coisa, a voz da oposição precisa se colocar, fazer cobrança, fiscalizar o governo. Não há democracia sem oposição."

Mendonça Filho afirmou ainda que sua candidatura pode, sim, ser retirada em nome de uma união do bloco. "Eu sempre sentei à mesa disposto a negociar a partir de critérios objetivos que poderiam ser construídos num consenso para que se tenha um projeto de cidade. Estou disposto ao diálogo, mas precisamos estabelecer critérios", avisa. A convenção para homologação de sua candidatura permanece marcada para a próxima sexta-feira (29).

No fim da tarde desta segunda-feira (25) o PMDB de Jarbas Vasconcelos, cujo pré-candidato era Raul Henry, retirou sua candidatura e decidiu apoiar o candidato do PSB, Geraldo Júlio. A migração muda completamente o cenário político pernambucano. O PT, antes cabeça da Frente Popular, se encontra completamente isolado. O PSB, já na liderança da Frente, se alia agora ao histórico rival político mais forte do grupo, o PMDB de Jarbas Vasconcelos.

É importante destacar também que os movimentos de afastamento do PT e, agora, de firmar aliança com o PMDB, fazem parte dos planos de Eduardo Campos para se candidatar à Presidente da República já em 2014.

A saída do partido que detém maior tempo de horário político nos veículos de comunicação, PMDB, do cenário da oposição rumando para o grupo da Frente Popular torna a Frente - que agora conta com 19 partidos - ainda mais soberana em Pernambuco e fragiliza ainda mais o bloco de oposição, que tem agora Raul Jungmann (PPS), Daniel Coelho (PSDB) e Mendonça Filho (DEM).

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