domingo, 30 de setembro de 2012

“Eu não respondo pergunta de sem-vergonha”

Em visita ao bairro paulistano da Mooca, o candidato tucano José Serra abespinhou-se com uma pergunta que lhe foi dirigida em entrevista que concedeu na calçada. Recusou-se a responder. E chamou de “sem-vergonha” o autor da indagação.
O entrevero ocorreu depois que Serra anunciou a intenção de criar um sistema municipal de ensino técnico e profissionalizante. “Essa é minha ideia, é o que me veio agora à cabeça vindo aqui à Mooca, me lembrando da minha infância e da minha juventude aqui.”
— Veio agora à cabeça ou é seu projeto de governo?, quis saber o repórter.
— Heimm?, estranhou Serra.
— Essa ideia veio agora à sua cabeça ou é seu projeto de governo, insistiu o repórter.
— Voce é de onde?
— Interessa?
Serra faz cara de poucos amigos.
— O senhor não vai responder à minha pergunta?
— Eu quero saber de onde?
— Rede Brasil atual.
Serra piscou o olho, como a insinuar a confirmação de uma suspeita. Fundada pelo movimento sindical, a Rede Brasil é ligada aos sindicatos dos Bancários e dos Metalúrgicos do ABC, ambos filiados à CUT.
— Por que o senhor só responde perguntas que são favoráveis?, cutucou o repórter.
— Não. Eu respondo pergunta, não respondo pergunta de sem-vergonha, só isso, encerrou Serra.
Horas depois, o PSDB divulgou uma nota. Anotou no texto: “…O PT enviou um repórter da Rede Brasil Atual, grupo de comunicação mantido por sindicatos filiados à CUT, para tumultuara coletiva de imprensa de Serra.” Nenhuma linha sobre a ofensa do candidato.
Quem assiste à cena fica com uma impressão diversa. Para um provocador a serviço do petismo, o repórter serviu-se de veneno fraco. Sua pergunta fez nexo. A reação de Serra, nem tanto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário