Em ofício, senador do PMDB afirma que a
interrupção das reuniões no período eleitoral pode inviabilizar a
sequência das investigações; data prevista para o encerramento das
atividades é 4 de novembro; PPS defende a prorrogação por exatos 180
dias; na última sexta, o senador Randolfe Rodrigues apresentou 181
requerimentos à comissão, todos referentes à empresa Adécio & Rafael
Construções, apontada como 'laranja' de CachoeiraA interrupção das reuniões foi anunciada no início de setembro. O principal motivo alegado foi a dificuldade para marcar as reuniões no período eleitoral, já que os esforços concentrados da Câmara e do Senado não coincidem. Na ocasião, o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), garantiu que se dedicaria a analisar os dados disponíveis para apresentar um balanço das atividades da CPI.
Apesar de afirmar que a CPI conseguiu entrar para a história ao quebrar o sigilo bancário da empreiteira Delta Construções, Pedro Simon disse considerar "tarefa inadiável" a aprovação de requerimentos de quebra de sigilo de empresas que receberam recursos da construtora. Assim, segundo o senador, seria possível "seguir a trilha do dinheiro desviado". De acordo com a Polícia Federal, a Delta, que detém contratos públicos em todo o país, repassava recursos para empresas de fachada ligadas a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Além da prorrogação dos trabalhos, Simon pede ao presidente da CPI que não inclua na pauta de votações qualquer relatório que, "de forma explícita ao não, tente restringir o foco das investigações". Em pronunciamento recente, Simon havia anunciado a apresentação de requerimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para investigar o comportamento dos parlamentares que integram a CPI. Para ele, haveria uma tentativa de evitar o avanço das investigações.
No final do documento, o senador afirma que as medidas sugeridas são essenciais para assegurar a confiança da população na "CPI dos Corruptores" e para defender a imagem do Congresso. Ainda não há resposta da CPI ao documento do senador.
PPS defende prorrogação por mais 180 dias
Em nova enviada nesta terça-feira 2, o PPS defendeu a prorrogação dos trabalhos da CPI do Cachoeira por mais 180 dias a fim de poder "desvendar novos elos da empresa Delta com partidos e rastrear financiamentos ilegais de campanha". O cálculo para mais tempo foi feito pelo líder do partido na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), que adiantou que irá apresentar requerimento para ampliar o prazo de investigação da comissão.
O deputado argumenta que as informações que chegaram até agora à CPI apontam para a necessidade de aprovação de novas quebras de sigilo, o que somente será viável se os trabalhos do colegiado forem prorrogados. Rubens Bueno se refere em especial a 12 empresas de propriedade ou ligadas ao empresário paulista Adir Assad, que receberam mais de R$ 200 milhões da construtora Delta.
"As empresas do grupo de Assad receberam mais de R$ 200 milhões da Delta fora do eixo Centro-Oeste, em operações consideradas atípicas pelo Coaf. Até o momento, Assad está blindado na CPI. Espero que, na próxima semana, quando retomarmos os trabalhos, possamos não só quebrar o sigilo dessas empresas, mas prorrogar nosso prazo de investigação. Não dá para manter o prazo final da CPI para o dia 04 de novembro", defendeu o parlamentar, que, como membro da comissão, vem alertando desde agosto para a necessidade de ampliação do tempo de investigação.
Rubens Bueno ressalta, no entanto, que caminhar nessa direção exigirá uma grande mobilização daqueles que realmente querem investigar para valer as ramificações da organização criminosa comandada por Cachoeira e pela Delta. "Quebrar o sigilo bancário dessas 12 empresas de fachada ligadas a Adir Assad significa caminhar na direção de outras empreiteiras, o que pode revelar que há muitos outros "Cachoeiras" por aí", ressaltou o deputado.
O esquema do Rio
Outro ponto nebuloso que ainda precisa ser desvendado pela CPI, aponta o líder do PPS, é o destino de R$ 174 milhões repassados pela empreiteira Delta para a MB Serviços de Terraplanagem, empresa localizada em Saquarema, no litoral fluminense. A firma é registrada em nome do contínuo Bruno Estefânio de Freitas, de 20 anos, apontado como laranja da construtora de Cavendish no Rio de Janeiro.
"Existem fortes indícios de que esse dinheiro tenha abastecido ilegalmente caixas de campanha. Além disso, serviria anida para o pagamento de propina. A CPI tem obrigação de ouvir Bruno e quebrar os sigilos dessa empresa", defendeu o deputado. Bruno é hoje uma figura guardada a "sete chaves". Apesar de, segundo sua família, estar desempregado, vive em um condomínio fechado em Jacarepaguá, onde permanece sob escolta de seguranças.
36 bilhões em caixa e remessas ao exterior
O grande volume de recursos movimentados nas contas dos investigados pela CPI, calculado até o momento em R$ 36 bilhões, é, na avaliação do deputado, outro ponto que deve ser levado em consideração para a prorrogação dos trabalhos. "Trata-se de uma quantidade de informações imensa e que ainda precisa ser melhor analisada. A CPI precisa ainda, por exemplo, identificar a origem e o destino de transações que somam R$ 3 bilhões. É que os dados repassados pelos bancos estão incompletos. Deixar isso passar é uma irresponsabilidade. Então, espero que os membros da comissão compreendam a situação e apoiem a prorrogação".
Rubens Bueno chama atenção também para a quantidade de remessas de dinheiro para o exterior, principalmente para paraísos fiscais. Somente a Delta transferiu, apenas no ano passado, R$ 85,34 milhões para contas nas Ilhas Cayman. Há, ainda, movimentações de outras empresas e pessoas ligadas à quadrilha para a Suíça, Uruguai, Dinamarca, Argentina, Eslovênia, Estados Unidos, Índia, Alemanha, México, Canadá, Taiwan, entre outros países. "Essa é outra questão que merece mais atenção da CPI, até porque são remessas que chegam a casa de milhões de dólares", finalizou o membro da CPI.
Randolfe quer mais informações sobre empresa 'laranja' de Cachoeira
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) apresentou na última sexta-feira 181 requerimentos à CPI do Cachoeira. Todos os pedidos são de informações sobre depósitos feitos pela empresa Adécio & Rafael Construções em contas bancárias de pessoas e empresas. A Adécio & Rafael é apontada no inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, como empresa laranja da organização de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
A quebra de sigilo da empresa foi aprovada no dia 5 de julho, por requerimento do senador Pedro Taques (PDT-MT). Segundo o senador, entre 2010 e 2012, a Adécio & Rafael teria recebido R$ 36,4 milhões da Delta Construções. Além disso, a empresa, criada em 2010, teve, no primeiro ano de funcionamento, movimentação financeira de R$ 14 milhões de crédito e de R$ 12 milhões de débitos, apesar de a receita bruta declarada ter sido de apenas R$ 29,8 mil.
Nos novos requerimentos, Randolfe Rodrigues pede informações sobre a natureza do négócio que gerou os depósitos, além de comprovação da execução de serviço ou de efetivação da venda. Segundo a assessoria do senador, a intenção é obter informações sobre todos os depósitos ou transferências acima de R$ 10 mil.
Vários dos depósitos têm valor acima de R$ 100 mil. Os maiores valores mencionados nos requerimentos foram depositados nas contas de Jacinto Lucio Borges, que recebeu 20 depósitos no total de mais de R$ 2,2 milhões; da empresa R A P de Carvalho Ltda, com 14 depósitos que somam mais de R$ 1,2 milhão; e da empresa Plastilider Ltda, com dez depósitos, num total de mais de R$ 1 milhão.
Com os requerimentos apresentados por Randolfe Rodrigues, sobe para 481 o número de pedidos a serem apreciados pela comissão na volta dos trabalhos, prevista para depois das eleições.
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