Capital eleitoral
A
divulgação do orçamento das campanhas para a Prefeitura do Recife,
feita na quinta-feira pelo TSE, mostrou a receita gorda do prefeito
eleito, Geraldo Julio (PSB): mais de R$ 7 milhões, contra menos de R$ 3
milhões de Humberto (PT), que teve o segundo maior caixa.
É
fato que ninguém ganha uma disputa política sem dinheiro. Porém,
atribuir uma vitória política exclusiva ou principalmente a dinheiro é
precipitado e reducionista. No livro Freakonomics - O lado oculto e
inesperado de tudo o que nos afeta, os escritores Steven Levitt e
Stephen Dubner levantam uma questão pertinente: o dinheiro é responsável
pelos votos de um candidato ou é o magnetismo do candidato que é
responsável pelos votos e pelo dinheiro?
Magnetismo
não é algo que se mensure: a política nunca foi uma ciência exata.
Contudo, interpretações podem levar a crer que os votos, ou melhor, a
simpatia do eleitor, podem chegar antes do dinheiro. Nos EUA, em 2008,
Barack Obama arrecadou US$ 747,8 milhões, recorde que atingiu
principalmente por causa de pequenas doações (de eleitores), que
voltaram a ser determinantes, ainda que num grau menor, em 2012. Embora
não tenha mais o status de mito que alcançou em 2008, Obama ainda é um
ícone viral.
E
o fator viral nada mais é do que uma reedição do bom e velho boca a
boca, sendo este mais próximo da nossa vida severina. Guardadas as
devidas proporções, a vitória de Sebastião Dias (PTB), em Tabira, no
Sertão do Pajeú, representa outro caso emblemático. Durante a disputa,
Dias trabalhou duro para contar as muitas notas - de nada mais do que R$
2 - que municiaram sua vitoriosa campanha.
OPINIAO DESTE BLOG
Seca no sertão.

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