(Foto: Márcio Didier/Blog da Folha)














Carnaval habita na extremidade oposta da burocracia e das formalidades. Não combina. Ou melhor, se odeiam. Em qualquer lugar do mundo, Carnaval é alegria e espontaneidade. Mas na noite desta quinta-feira (12) houve uma exceção. A abertura oficial do Carnaval de Olinda conseguiu superar qualquer parada militar na Coreia do Norte. Dentro de uma sala na prefeitura e cheia de discursos. E sem nem uma sombrinha de frevo para contar a história. Parecia uma assinatura de convênio para asfaltar uma rua.

Um dos carnavais mais plurais do mundo merecia algo melhor para marcar a sua inauguração. Na antessala do seu gabinete, o prefeito Renildo Calheiros (PCdoB) recebeu o governador Paulo Câmara e os seus colegas de Recife, Geraldo Julio, e de Paulista, Junior Matuto, os três do PSB.
Com a popularidade em baixa, Renildo parece ter preferido não correr o risco de uma cerimônia no palco principal da festa em Olinda, montado a um quilômetro do Palácio dos Governadores, e com show de Alceu Valença. Poderia até, quem sabe, dividir ou usufruir um pouco da popularidade dos colegas. No entanto, preferiu uma cerimônia discreta, com rápidos discursos, algumas fotos, uma parcela considerável de calor e uma tentativa mal sucedida do apresentador de animar o ambiente.
Após os discursos, um maracatu entoou o Hino de Pernambuco. Tudo dentro de uma formalidade assustadora, que em nada lembra as brincadeiras, a alegria e alegorias que já tomavam conta das ruas e ladeiras da cidade àquela hora. Fogos, então, nem pensar.
Logo Olinda, de dezenas de blocos, do Elefante, da Pitombeira. Famosa por seus bonecos gigantes, pelo Homem da Meia-Noite, do maestro Lessa. Esse Carnaval faz por merecer uma abertura mais decente. Fica a dica para o ano que vem.