segunda-feira, 9 de março de 2015

Carlos Freitas passa o dia ouvindo pacientes do SUS e os ajuda a conseguir cirurgias e vagas em UTIs

Histórias de solidariedade nos leitos de hospitais do Grande Recife


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Bom dia! Eu sou Carlos Freitas, da Aduseps, e estou aqui para ajudar você!”. A frase é repetida inúmeras vezes, diariamente, por Carlos Antônio Alves de Freitas, 59 anos, coordenador da ouvidoria da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps). Ele sai de casa às 6h30 (“sem hora para voltar”) com destino aos leitos de hospitais públicos do Recife e Região Metropolitana. Visita três ou quatro unidades de saúde por dia com a missão de ajudar os pacientes a conseguirem cirurgias, internações e medicamentos. 

Durante os 13 anos em que atua como ouvidor, Carlos Freitas coleciona histórias de solidariedade, luta e de superação junto aos pacientes. O sorriso largo no rosto evidencia o sinal de satisfação quando relembra vários casos. “Certa vez estava em casa, num domingo, e recebi uma ligação. Fazia um ano que um paciente tinha sofrido um acidente e, quando descobriu a necessidade de cirurgia, se deparou com a falta de vagas. Estava sem falar e com dificuldades para andar. Vi que era urgente e, apesar de estar de folga, fui na mesma hora para a UPA onde ele estava. Consegui uma transferência para o Hospital da Restauração (HR) e, dois meses depois, o paciente passou por cirurgia. Voltou a falar e andar”, conta. 

Antes de entrar nas enfermarias, sempre passa pela emergência dos hospitais. Foi assim que conheceu a vendedora autônoma Márvia Reniele da Silva, 29 anos. Moradora de Pesqueira, no Agreste, ela veio ao Recife acompanhar o irmão, que sofreu um acidente de moto e precisou ficar internado no HR. De repente, se viu sozinha na capital. Sem parentes ou amigos por perto. Passou dois dias na entrada da emergência. Dormia sentada nas cadeiras disponíveis ali. “Foi quando ele (Carlos Freitas) chegou, se apresentou a todos os que estavam ali e ofereceu ajuda. E tem sido o meu apoio”, declarou. 

Usuário de transporte público, Freitas sai cedo de casa, em São Lourenço da Mata, com destino a algum hospital. “Não tenho uma rotina definida. Meu destino inicial depende da demanda de cada dia”, explica. Otávio de Freitas, Agamenon Magalhães, Getúlio Vargas, Restauração, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), entre outros hospitais são visitados pelo menos uma vez por semana. O trajeto é feito sempre de ônibus, pois a verba na Aduseps é pouca. Não há condições de manter um carro especificamente para esse serviço. Na maioria desses locais o ouvidor tem acesso livre a quase todos os ambientes. “Conheço tudo e todos. Fiz muitas amizades e tanto pacientes como funcionários já têm meu contato e repassam quando veem que alguém precisa de ajuda. Por conhecer muita gente, tenho facilidade de conseguir as coisas”, afirma.

 “Sou muito satisfeito com o que faço. Acredita que quando chego em casa, às 9h, 10h da noite, não me sinto cansado? Essa coisa de querer ajudar o outro está no meu sangue. Me faz muito bem.”

Um comentário:

  1. Já ouvi dizer que a Aduseps está para fechar por falta de contribuição. A muito acompanho matérias sobre a Aduseps e sua atuação exemplar em benefício dos direitos dos usuários do Sus e planos de saúde. Seria importante que se fizesse uma campanha ferrenha em prol da Aduseps. Blogs, e vale como sugestão, como o seu Magno, que tem a confiabilidade e a seriedade necessárias, poderia abraçar essa ideia e mobilizar outros.
    Luciano - Ouvidor

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