No Recife, a orla de Boa Viagem virou uma “onda” verde e amarela, povoada por 10 mil pessoas com propostas distintas e com algo em comum: foram chamadas pelas redes (Foto: Leo Motta/Arquivo Folha)
Egito, Espanha, Grécia, Brasil e Venezuela. Países com características sociais e políticas distintas, as Nações têm em comum o uso das redes sociais como motor de suas recentes manifestações populares. As movimentações levaram milhares às ruas no mundo inteiro e mostraram a insatisfação da sociedade com os rumos dos seus governos.
No Brasil, os principais protestos com base nas redes sociais aconteceram no último dia 15 de março, quando quase duas milhões de pessoas foram às ruas protestar, por motivos diversos. Comunidades como o Vem Pra Rua acumulam mais de 300 mil seguidores e o Revoltados On Line mais de 700 mil. Os grupos são responsáveis por compartilhar informações e convocar o povo para participar dos protestos. Nos protestos de 2013, outras grandes manifestações de massa, a internet também foi a catalisadora dos movimentos.
Os principais instrumentos utilizados pelos manifestantes são o Facebook, Instagram, Twitter, e-mail e aplicativos como o WhatsApp. Os veículos permitem uma comunicação rápida, de amplo alcance e com baixo custo, o que facilita a organização de grandes atos. Antes isolados, cidadãos insatisfeitos arrumaram uma forma de se conectar e organizar grandes eventos causando incômodo aos seus líderes políticos.
Contudo, o uso das ferramentas virtuais não é um fenômeno exclusivo brasileiro. A onda de protestos em diversos países no Oriente Médio, conhecida como Primavera Árabe, foi organizada pelas redes sociais. A importância do meio na revolução popular foi tanta que o Governo decidiu suspender a internet em diversas regiões.
Membro pelo movimento Estado de Direito – Pernambuco, que possui 1.742 seguidores no Facebook, o estudante de História, Diego Lajedo, afirma que as movimentações não teriam o mesmo impacto sem a internet. O grupo foi um dos responsáveis pela convocação dos pernambucanos para o protesto na avenida Boa Viagem, no último dia 15 de março.
“Antigamente, existia um monopólio dos movimentos sociais com ideologia de esquerda. Hoje, a UNE e os grupos organizados estão ligados ao Governo e a internet foi crucial para organizar outros segmentos da sociedade. Antes, apenas um grupo podia se engajar. Agora, a própria sociedade pode fazer a convocação”, avaliou.
Uma das pessoas alcançadas pelas movimentações virtuais foi a advogada Raquel Barreto, de 29 anos. Ela tomou conhecimento dos protestos pelo Facebook e começou a convocar os amigos também por meio das ferramentas virtuais. “Ajudou muito a divulgar. Fiquei sabendo pelo Facebook e comecei a convidar outras pessoas e compartilhar informações pela Internet”, afirmou.
Atitudes como as de Raquel são os principais propulsores das manifestações. Segundo Diego, as pessoas vão criando uma rede onde cada um chama o seu círculo de amigos e conhecidos, expandindo o alcance do protestos.
Por Carol Brito
Da Folha de Pernambuco
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