As eleições municipais
estão-se aproximando – 2 de outubro do próximo ano – e com elas as lembranças de
fatos e causos que insistem em fixar
“residência” na minha mente e a infecionar o pudor que a elas os germes
“ensinam”, com praticidade, as coisas boas da política e, igualmente, o que há
de mais nojento num pleito eleitoral. Assim, como diria Odorico Paraguaçu, o
famoso “prefeito” de Sucupira cuja única obra foi à construção de um cemitério
e que só foi inaugurado, depois de muitos anos, com o seu próprio corpo, cuja
morte teve até banda de música: “vamos deixar os entretantos e partirmos mais
para... os finalmentes”.
O leitor-eleitor tem ideia de quanto custa uma
campanha visando a eleição de um candidato – seja para vereador, seja para
prefeito –, sobretudo daqueles que estão ou deverão estar alicerçados no podiumda desonestidade, guiados pelo
poder econômico, usando a estrutura da “infiel” máquina administrativa,tendo
como base a “troca” de favores, enfim, de como é uma eleição numa época em que
se registra um retrato contundente de uma corrupção que transformou-se numa
“pandemia” na política brasileira? Com certeza, não. Mas, esse desconhecimento
é bom ou ruim para ele? A resposta é óbvia: depende de que lado ele esteja.
Você agora saberá um pouco desse “negócio”
chamado política. Sobre ele, vou tentar dar um enfoque drástico, mas real, onde
a moral passa longe, muito longe, do lugar onde deveria estar. Como exemplo vou
usar o nome de “Cândido Peçanha” – nunca esqueça esse nome –, que você não
conhece, não sabe quem é e não consegue ver o seu rosto porque ele não existe
na figura de uma pessoa. Trata-se de um personagem criado pelo juiz de direito
Marlon Reis para o livro "O Nobre Deputado", ou seja, ele é um
deputado fictício, mas suas condutas não. Ele encarna os defeitos e as
características peculiares de muitos dos nossos parlamentares e chefes do Executivo
municipal.
Cândido é sarcástico, dedo-duro, fala
muito, corrupto ao extremo, enganador, enfim, um político que faz de tudo para
alcançar o poder. E alcança, afinal, como ele diz, “a esmagadora maioria dos
políticos não tem honra, compra votos, não tem remorso, não tem escrúpulo, é
cínica, é mentirosa, não tem caráter... E daí?”, pergunta ele. E ele mesmo
responde: “político tem que ter é conta bancária gorda. Dane-se o povo... A
maioria dos votos é comprada”. Ou seja, é o representante do tipo daquelesque se acomodam ao sistema por
acreditar que as coisas são assim mesmo e ninguém pode mudá-las. Segundo
ele, “não é preciso ‘trabalhar’ muito para ter o voto porque a população não
tem força nem segurança para contestar nada”. “Veja bem”, fala ele, “se você for
ao interior, vai ver muitas crianças passando fome, morando em casas de taipa, andando
a pé em estradas sem asfalto. Isso indigna a gente. Sempre tive consciência
disso, mas o poder é mais forte que a consciência”.
Na
realidade, tudo começa na escolha dos partidos. Depois, dos candidatos. Em
seguida, a convenção. Aí tem início a campanha e termina com a eleição. E esta,
para ganhá-la, é preciso ter dinheiro, muito dinheiro, pois para ser eleito é
preciso comprar e pagar apoio político – a base dos gastos da campanha. Aliás,
diga-se de passagem, uma gastança que faz do Brasil um recordista mundial:
proporcionalmente à riqueza do país, aqui são realizadas as campanhas mais
caras do planeta. Nas últimas eleições, em 2012, os gastos ultrapassaram os R$
4,5 bilhões e tais recursos têm como origens empreiteiras, prestadoras de
serviços e aqueles que “aparecem” por baixo dos panos.Por quê? Ora, o candidato
– com raríssimas exceções –, depois de mirabolantes ginásticas financeiras
durante a campanha para angariar recursos, assume o mandato endividado e por
isso precisa de mais e mais dinheiro para pagar a quem deve. Em “tese”, como
consegui-lo? Um repórter do“Fantástico”,
ao entrevistar um assessor parlamentar num determinado dia, perguntou-lhe “como
o candidato eleito faz para pagar as dívidas de campanha”. A resposta foi
“simples”: “existem varias maneiras de fazer isso e os principais ‘alvos’são a
educação – leia-se, merenda escolar –, compra de medicamentos, limpeza urbana e
as construções – prédios e calçamentos, principalmente”. “Mas como?”, questiona
o entrevistador. “O cara recebe o cheque, saca o dinheiro e entrega a parte do
candidato eleito.” E o pior, de acordo com o assessor, é que a comprovação dos
gastos, (atualmente, muito mais fiscalizados) constantes das dotações
orçamentárias, vai para o Tribunal de Contas e, independente de sua aprovação
ou rejeição, segue para a Câmara Municipal e é no legislativo que tem início um
outro capítulo do desvio do dinheiro público: a Prestação de Contas é aprovada,
já que na maioria dos casos os edis são cúmplices de toda a “engenhoca
financeira ilegal e imoral”.
E na última pergunta do repórter, o “tiro da
misericórdia”: “Quer dizer que todos estão envolvidos?” Resposta: “É uma
máfia”, e conclui dizendo que “para as empreiteiras, são criadas licitações
fraudulentas, obras superfaturadas. O que ocorre mesmo é que as empresas não
doam. Elas antecipam um dinheiro que será depois obtido e multiplicado por
muitas vezes através de contratos dirigidos e direcionados". Salve o
Ministério Público que, independente da deliberação do poder legislativo, procura
fazer, e faz, a sua parte: improbidade administrativa é crime.
Sabe-se
que tudo isso é verdade, mas há de se considerar – em alto relevo – que têm
municípios nos quais, ao que parece, “nasceu” o caos, “aprimorou” a
imoralidade, “floresceu” a corrupção e “imortalizou” a roubalheira, como é o caso
de São Pedro da Água Branca, no sul do Maranhão, onde os mais carentes sentem
na pele os efeitos da falcatrua. “No momento, aqui tá faltando um bocado de
coisa. Tá faltando à merenda dos meninos que estão cobrando de nós e não temos”,
conta Francisca Isaura Araújo, zeladora de uma escola. Um levantamento feito em
cinco escolas do mesmo município revelou que em 2008 houve a maior evasão
escolar do Estado do Maranhão. Naquele ano, de eleições municipais, 35% das
crianças abandonaram as salas de aula porque não tinham o que comer na hora do
recreio. Ou seja: um terço dos alunos simplesmente deixou de estudar. De acordo
com a denúncia do Ministério Público, acatada pela Justiça, o dinheiro que era
da merenda escolar e que deveria ser gasto nas cantinas das escolas, foi usado
para comprar votos. “Bingo!”
Como foi dito no prólogo deste artigo, vamos ter eleições municipais no
próximo ano, e pelo que tenho observado nas hostes políticas locais e
“in locais”, a Mercedes Benz vai ter que duplicar a fabricação dos seus
caminhões caçamba para que haja transporte suficiente a fim de levar a destinos
que só os “sábios” conhecem o que a população precisa. “Não importa” se seja
ilegal ou como as “coisas” serão entregues, afinal é a
chance dos mais necessitados – e dos vigaristas – em conseguir o que sempre
lhes são negados.
Ainda abem que um aproveitador e canalha como
Cândido Peçanha não passa de um personagem de um livro de ficção.
Mas (olha o “mas” sempre presente no epílogo de
cada artigo que escrevo) seria de bom alvitre lembrar aos eleitores de plantão
que
Peçanha
não representa ninguém em particular, mas pode se aproximar da imagem de
qualquer político que você conheça. Tente imaginar alguém que possa estar sendo
retratado nesse personagem e pode
ser que você acerte. Já seria um bom começo para que você mude
esse quadro deprimente e vergonhoso da política partidária brasileira.
*Marco
Albanez é advogado e jornalista(DRT/PE nº 3.271)
Caro Marco Albanez, O artigo está excelente !!! abraço,
ResponderExcluirPRIMEIRA...
ResponderExcluirVerdade amigo, todos devem procurar eleger pessoas q tenham atenção voltada para o progresso do seu município e q administre sempre o dinheiro público de maneira responsável e honesta. Basta de governantes cleptocratas.
ResponderExcluirAnselmo Gouveia
Infelizmente a corrupção transformou-se numa pandemia na "Terra-Brasilis", onde a bem da verdade, caso soubessem o custo, qualquer eleitor negaria-se a apertar o botão verde que lhe garantirá o "futuro"... bom ou ruim das urnas eleitorais quase sempre duvidosas em suas licitudes. O mais interessante do texto é afirmar que o tal "Peçanha" é fictício... MAS NUNCA FOI TÃO CONCRETO. É preciso realmente abrir a mente e trazer o conhecimento aos muitos que apenas são "bois" em pastos vastos em verbas... mas pobre em decência. Parabéns Dr. Marco. Sempre pontual e exato em suas colocações.
ResponderExcluirObrigado, amigo, pelos elogios. Um abraço forte e torço para que você, com o seu Blog e as suas convicções, aliadas às opiniões - fortíssimas, por sinal -, consiga ajudar nessa mudança tão aguardada pela população.
ExcluirInfelismente não posso me identificar por motivos óbvios, mas vou fazer dois registros neste espaço. Um deles é que Marco Albanez (já foi vereador e presidente da câmara não sei quantas vezes, foi vice prefeito, e foi prefeito em várias vezes) é uma pessoa que sempre deixa saudade por anda passa pois sempre dá atenção a todos e procura ajudar a quem precisa. só quem não conhece ele pensa diferente. Depois, escreve muito bem todo mundo sabe disso e pode não dizer que é mentira. Parabéns Marco.
ResponderExcluirj
ResponderExcluiro bom e que a pessoa publica e ela mesmo fica se elogiando. kkkkk
ResponderExcluire fica tambem comentando todas reprtagem. kkkkk
ninguem e besta. kkkkkk
Senhor Anônimo: o anonimato, às vezes - como é o caso -, tem interpretação dúbia. Ou o “autor” é covarde ou é parvo (sei que não sabe o que significa). Modéstia a parte, agradeço a Deus por me ter dado o dom de saber escrever para que pessoas como você (que conheço) possam ler e aprender alguma coisa. Por outro lado, não tenho culpa se a outras pessoas Ele também tenha dado o dom da inteligência, mas que é usada apenas para caminhadas nos labirintos da vulgaridade, dos esquemas, dos "debaixo do pano" etc. Você deveria retornar a “faculdade” e entrar pela porta da frente e não como fez anteriormente, o que lhe obrigou a “abandonar” os estudos e por ser burro mesmo. Ao extremo!
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