sexta-feira, 17 de julho de 2015

NOTÍCIA DA HORA: 'Sou oposição ao governo', diz Eduardo Cunha após ser citado por delator


Em rota de colisão com o Planalto desde que assumiu a Presidência da Câmara, no início do ano, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) oficializou na manhã desta sexta (17) o seu rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff.


Cunha afirmou que a partir de agora será oposição, mas enfatizou que não atuará contra o governo como presidente da Casa.

"Estou oficialmente rompido com o governo a partir de hoje. [...] Teremos a seriedade que o cargo ocupa. Porém, o presidente da Câmara é oposição ao governo", disse, nesta sexta.

Ele responsabiliza o Planalto pelo seu envolvimento nas investigações da Operação Lava Jato. Nesta quinta (16), ele foi acusado pelo lobista Júlio Camargo de receber US$ 5 milhões de propina. O deputado nega as acusações.
Cunha acusou o governo de ter orquestrado uma campanha contra ele na Lava Jato e disse que há um "bando de aloprados" no Planalto, mas se negou a responder quem seriam essas pessoas.

Para o peemedebista, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está seguindo orientações do governo porque quer ser reconduzido ao cargo –seu mandato acaba em setembro, e depende de indicação de Dilma para ser reconduzido.

O peemedebista acusou Janot e o governo de terem feito uma operação "faraônica" e um "espetáculo" na operação da Polícia Federal de busca e apreensão, realizada na terça (14), contra os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI), e reclamou que os procedimentos adotados pelo Ministério Público não são iguais para todos os investigados.

Cunha afirmou também que não será arrastado "para a lama" em que o governo se envolveu em atos de corrupção na Petrobras. "Essa lama em que está envolvida a corrupção da Petrobras, cujos tesoureiros do PT estão presos, eu não vou aceitar estar junto dela".

O parlamentar declarou ter provas da atuação do governo contra ele e informou que a Receita Federal está fazendo uma devassa fiscal em suas constas desde 23 de junho.

"É um constrangimento a um chefe de poder", disse. O presidente da Câmara rejeitou qualquer possibilidade de se afastar do cargo durante as investigações.
Em entrevista à Folha, Cunha já havia declarado que iria abandonar o governo. Segundo ele, o envolvimento de seu nome nas investigações é "tudo vingança do governo". "Parece que o Executivo quer jogar a sua crise no Congresso", disse Cunha à Folha.

IMPEACHMENT
Cunha ainda negou que sua nova posição influenciaria eventual votação de pedido de impeachment contra a presidente. "Eu não vou fazer ato ilegal pelo meu posicionamento político", disse.
"Sempre defendi que o assunto tem que ser tratado na forma constitucional e legal, e não como recurso eleitoral. Eu não vou mudar uma vírgula. Não tenho irresponsabilidade com as contas públicas. Não acho que tenha que tacar fogo no país."
Ele enfatizou que não patrocinará o "fim da governabilidade". "O fato de eu estar rompido com o governo não vai afetar a relação institucional".
Eduardo Cunha
Folha de São Paulo

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