Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o presidente da Câmara reagiu atacando a presidente Dilma e os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação). Os três aparecem nas delações do empreiteiro Ricardo Pessoa e do doleiro Alberto Youssef. “Da minha parte, nenhum problema em acarear com quem quer que seja”, disse. “Ele (Fontana) deveria aproveitar e, além de requerer essa acareação, deveria também requerer as acareações de Mercadante e Edinho com Ricardo Pessoa e até da Dilma com Youssef, que também falou na sua delação que ela sabia”.
Desafeto de Cunha, Henrique Fontana anunciou que, tão logo volte do recesso, apresentará requerimento à CPI da Petrobras convoque acareação entre o peemedebista e o lobista Julio Camargo, que em sua mais recente delação acusou o presidente da Câmara de pedir US$ 5 milhões de propina por contratos feitos com a estatal.
A proposta ocorre um dia depois de o governo tentar amenizar as declarações de Cunha e de desautorizar o pedido de afastamento de Cunha feito por seu vice-líder Sílvio Costa na Câmara. Fontana disse que o pedido de acareação não foi articulado com o governo nem com o PT. “É uma decisão minha”, afirmou.
Para o ex-líder do governo Dilma Rousseff, o requerimento é uma maneira de evitar que Cunha repita o que fez em março, quando foi à CPI apenas para receber elogios de aliados. “Ele deu sinais claros de que pretende usar a institucionalidade da presidência da Câmara para chantagear, atacar e fazer a defesa dele. Isso nós não vamos permitir na medida da força que tivermos”, disse Fontana.

(Fonte: Estadão Conteúdo)