Segundo a Apac, termômetros marcam de 19,7º a 22º nas noites de julho. Muitos vêm desligando ar-condicionado, fechando janelas e usando casaco.
De acordo com os registros da Apac, em abril deste ano a temperatura máxima atingiu 31,7ºC -- dois graus a mais que a média dos últimos 30 anos. Em maio, a mesma coisa: a máxima foi de 29º, enquanto o esperado era 27º. A partir de junho, com a chegada do inverno, as temperaturas voltaram à média. E, nas noites de julho, os termômetros têm se mantido nas médias mínimas históricas para o período, que variam entre 21º e 22º. No último dia 7, até passaram do esperado, chegando a 19,7°C.
Após meses de temperaturas acima do normal, o clima esfriou de vez no Recife. Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), os termômetros atingiram as médias históricas mínimas neste mês de julho, sobretudo nos últimos dias. À noite, já se mantêm nos 21°. Segundo os meteorologistas, os números mais baixos estão dentro da média. Mesmo assim, a população sente a onda fria e está mudando hábitos para se aquecer.
Nas ruas da capital pernambucana, os casacos já não são tão estranhos. Muita gente vem usando a peça com frequência, até em locais tradicionalmente quentes, como os ônibus. Mas é em casa que as mudanças são mais intensas. Tem quem feche as janelas, ative o chuveiro elétrico que não era usado há tempos e não ligue o ar-condicionado na hora de dormir, o que era impensável até poucos meses atrás.
Maria de Lourdes Oliveira, 70 anos, é uma das que passou a dormir sem o aparelho. Ela diz que não liga o ar-condicionado há pelo menos duas semanas. "E, em algumas noites, ainda precisei do cobertor. Para quem tá acostumada com 30 graus o ano inteiro, 25 já é um alívio", conta a aposentada, que mora em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Segundo a universitária Emanuele Alves, 20, a situação é a mesma na Zona Norte. Ela mora no Espinheiro e diz estar sentindo muito frio à noite. “Na hora do jantar, estou até fechando a porta da varanda por causa do vento. Também passei a sair com casaco e a usar o chuveiro elétrico”, conta.
A dona de casa Áurea Monteiro, 76, sentiu a queda da temperatura de forma ainda mais intensa. "Tenho artrite e artrose. Devido ao tempo frio, tenho acordado com mais dores do que de costume, mas meu médico disse que é normal neste período”, falou. Muitas pessoas também reclamam do aumento no número de casos de gripes, resfriados, alergias e viroses. Áurea ressalta, no entanto, que o clima frio também tem suas vantagens. “É melhor para dormir. Não sentimos aquele calor de sempre", explica.
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Meteorologia
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) reconhece que a temperatura caiu na capital, mas afirma que as temperaturas estão dentro das médias históricas. Uma das possíveis causas para a população estar sentindo mais frio está justamente no calor excessivo registrado nos últimos meses. Segundo a meteorologista Maria Aparecida Fernandes, foram registradas temperaturas acima do esperado em abril e maio. Além disso, tem chovido muito no Recife nos últimos dias.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) reconhece que a temperatura caiu na capital, mas afirma que as temperaturas estão dentro das médias históricas. Uma das possíveis causas para a população estar sentindo mais frio está justamente no calor excessivo registrado nos últimos meses. Segundo a meteorologista Maria Aparecida Fernandes, foram registradas temperaturas acima do esperado em abril e maio. Além disso, tem chovido muito no Recife nos últimos dias.
“Nesta região dos trópicos, o que faz esfriar é a chuva, o céu nublado. No Sul e no Sudeste, temos frentes e massas de ar frio; mas aqui não, são instabilidades vindas do oceano que provocam as chuvas. E tem chovido praticamente todos os dias nesta semana. Então, a chuva diminuiu ainda mais a temperatura. O céu nublado também, porque diminui a irradiação solar. Além disso, nós estamos no inverno, então a irradiação já é reduzida”, esclarece a meteorologista.
Aparecida ainda lembra que, entre junho e agosto, os ventos são mais intensos na Região Metropolitana do Recife. Por isso, a sensação térmica fica ainda mais baixa que as temperaturas registradas pela Apac, o que faz a população sentir mais frio. As chuvas fortes ainda têm provocado transtornos na cidade, como alagamentos e quedas de árvore.

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