"A raiz do problema é que o brasileiro não se interessa pela política por não acreditar em seus governantes devido à postura dos mesmos, e por isso o dever cívico de votar perde o seu objetivo."
VOTO FACULTATIVO
O artigo 14, §1º, I e II, da Constituição Federal
estabelece que "a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal
e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei,
mediante: § 1º O alistamento eleitoral e o voto são: I - obrigatórios para os
maiores de dezoito anos; II - facultativos para: a) os analfabetos; b) os
maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito
anos".
Tem-se observado que diante de tantos problemas
que são enfrentados todos os dias pela população brasileira, ela acaba deixando
de perceber que a política é a chave de toda a melhora do país. O que me deixa
mais perplexo é o fato de que o eleitor, nas últimas eleições principalmente,
vai às urnas com o simples desejo de "terminar logo com isso" e não
realmente para expressar a sua vontade. O mais paradoxal de tudo, já que
falamos da escolha dos nossos governantes, é que muitas vezes ele não sabe,
sequer, quais são as suas vontades ou os seus desejos.
A raiz do problema é
que o brasileiro não se interessa pela política por não acreditar em seus
governantes devido à postura dos mesmos, e por isso o dever cívico de votar
perde o seu objetivo. O que deve mudar é a educação política do país, para que
o dia de votação não expresse apenas mais um feriado, mas sim o dia ideal para
tentar alcançar as mudanças esperadas. No entanto, esse motivo – aliado a falta
de cultura e de educação – faz o voto obrigatório perder o sentido. Além do
mais, a obrigatoriedade do direito de sufrágio não é a principal forma de
promover a democracia no país. Ela nasce do pensamento político-social.
Antes de “insinuar” o motivo da minha opinião,
citaria casos antagônicos, e até inimagináveis, de países que utilizam ambos os
sistemas de votação: o obrigatório e o facultativo. Dá para acreditar que em Cuba
o eleitor tem o “direito” de sufrágio facultativo? Tudo bem que, em se tratando
de um país comunista, a maior parte dos eleitores é “instruída” politicamente,
mas é um dos países que mais respeita o voto – “às vezes, indo votar com um
rifle apontado para a sua cabeça”. E os Estados Unidos da América? Símbolo da
democracia – afinal, “estamos na América” –, mesmo sendo desenvolvido é o país
com a maior abstenção no dia da votação, já que lá o voto é, também,
facultativo. De verdade.Outros países desenvolvidos como a França, Itália,
Bélgica e Austrália, no entanto, representam as nações com votação obrigatória,
assim como o Brasil.
No Brasil, ele seria aceito pela maioria dos
eleitores e diversas pesquisas ratificam esse desejo., inclusive aa principal
delas, realizada em 2008 – salvo engano – 52% desejavam o voto facultativo.
Como já frisei no prólogo deste artigo, tudo é
uma questão de cultura. O maior exemplo é que, mesmo sendo o voto obrigatório,
o brasileiro deu o maior exemplo de que, no “geral”, sabe o que quer, como
quer, por que quer e quem quer. Se Lembram de 1989/92?Embora pertencesse a um
partido político pequeno, Fernando Collor de Mello conseguiu candidatar-se com
apoio de uma grande Rede de Televisão brasileira (Globo) e foi eleito
presidente da República no 2º turno, ao derrotar o “nada sabe, nada ouve” Luiz
Inácio Lula da Silva. Por quê? O eleitor queria ele. Acontece que, diante da
“depravação” que imperou no seu governo, o povo – os caras-pintadas –já não
suportava mais a situação e, por livre e espontânea vontade, foi às ruas,
provocou manifestações, alertou o Congresso Nacional e o resultado vocês já
sabem. Ou seja, ninguém foi obrigado a ir para as ruas, mas foi.
Na opinião do sociólogo Eurico Cursino, da UnB, o
dever de participar das eleições é uma prática pedagógica, pois é uma forma de
canalizar conflitos graves ligados às desigualdades sociais no país: "A
democracia só se aprende na prática. Tornar o voto facultativo é como permitir
à criança decidir se quer ir ou não à escola". Balela.
Para alguns analistas, permitir que o eleitor
decida se quer ou não votar é um risco para o sistema eleitoral brasileiro. “A
obrigatoriedade”, argumentam eles, “ainda é necessária devido ao cenário
crítico de compra e venda de votos e à formação política deficiente de boa
parte da população”. Outra hipocrisia.
Já para os defensores do voto facultativo,
participar das eleições é um direito e não um dever. Ele, dizem, melhora a
qualidade do pleito, que passa a contar majoritariamente com eleitores
conscientes e incentiva os partidos a promover programas eleitorais educativos
sobre a importância do voto. (Há mais de 20 Projetos de Emendas Constitucionais
engavetados no Congresso Nacional visando promover a facultatividade do
sufrágio, mas na última, vergonhosa e irreal reforma política, o voto
facultativo “dançou”.)
Por que o voto facultativo?
O tema
enfocado, acreditem, é um dos mais discutidosnos “labirintos” do Congresso
Nacional e pela opinião pública. Aquele se preocupa e esta dá o recado: a crescente
tendência ao absenteísmo do eleitor e ao aumento dos votos brancos e nulos. A
“lógica” – antagonismo, sim – me leva a uma conclusão simples: o povo quer ter
o direito e não a obrigação de votar, já que o voto obrigatório, mesmo para
aquele eleitor que não deseja sufragar o nome de bandidos, lhe torna reféns dos
favores que elegem políticos sem escrúpulos e que se tornam protagonistas de
“certos acasos” como o mensalão, o petrolão e de outras roubalheiras e
escândalos de outros “filmesque logo serão rodados”, como aqueles com os
roteiros já prontos a exemplo do BNDES, Eletrobrás... e
que, breve, estarão nas “telas” das televisões. Portanto, deixem quem quiser
votar assumir esse “risco” de votar certo ou errado, afinal, como bem diz o
senador Paulo Paim(RS),
“Dar ao cidadão brasileiro a
liberdade plena de escolha é fundamental.Deve ser dele, e somente dele, a
decisão sobre o que fazer com o seu direito de escolha e de manifestação
política.
*Marco ALBANEZ
É
advogado (OAB-PE nº 7.658) e jornalista (AIP nº 2.163 e DRT/PE nº 3.271)

Temos um problema grave de direcionamento no Brasil. Posso votar, mas não posso dirigir. Não posso dirigir e nem responder criminalmente por ações de delitos porque sou incapaz, mas posso escolher meu presidente, deputado, senador, etc... etc...
ResponderExcluirNão sou a favor da maioridade penal aos 16 anos, logo não sou a favor do voto do considerado "incapaz". Alguns dirão: "Mas votar é um direito de todo cidadão brasileiro" e eu direi: "Podemos escolher quem por muitas vezes vai me roubar no poder, mas não temos responsabilidade para assumir nossos atos"... Chego a seguinte conclusão: Quero um presidente com 16 anos. O que vocês acham? Haaa... vocês não querem? Mas porque não querem, visto que são capazes de votar?
Grande Marco.
ResponderExcluirInfelizmente a realidade q vemos é justamente a sociedade clamar pelo fim do voto obrigatório. No entanto, como bem disseste, não há interesse politico e através desta obrigatoriedade, a escolha na hora de votar se procede de maneira mecânica, não importando o desempenho de quem for eleito, é justamente "o votar por votar", e depois sofrer nas mãos destas raposas, que só sabem legislar em causa própria e objetivos esdrúxulos. Forte abraço. Anselmo Gouveia.
DAR AO CIDADÃO BRASILEIRO A LIBERDADE PLENA DE ESCOLHA É FUNDAMENTAL" DEVE SER DELE, E SOMENTE DELE, A DECISÃO SOBRE O QUE FAZER COM O SEU DIREITO DE ESCOLHA E DE MANIFESTAÇÃO POLÍTICA.
ResponderExcluirNÃO CONCORDO COM O SEXTO PARAGRAFO, OS CARAS-PINTADAS NÃO FORAM AS RUAS POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE; E SIM, FINANCIADOS PELOS CONTRA, COLLOR
Caro amigo Elizanias: os "caras-pintadas" foi o nome pelo qual ficou conhecido o movimento estudantil brasileiro realizado no decorrer do ano de 1992 que teve, como objetivo principal, o impeachment do então presidente do Brasil, Fernando Collor de Melo. Portanto, foi observado na época um movimento espontâneo, até porque, ao contrário de hoje, os estudantes naquela época tinham determinação. Mas o Juízo de Valor é seu e respeito. Abcs.
ExcluirQuerido Marco: você sabe que não sou de estar elogiando de “graça” e por isso que tenho que admitir que os seus artigos passaram a ser leitura obrigatória para mim. Extraordinários . Um beijão. Marinês da Silva Mota Nogueira
ResponderExcluirExcelente...
ResponderExcluirAbç
Concordo plenamente !!!
ResponderExcluirCaro Dr. Marco albanez,
ResponderExcluirComo de praxe seu artigo está muito bom. Gostei do arrazoado até a sua assinatura. Após, você anexou diversos textos sobre o assunto voto facultativo/obrigatório. Acho que por ser extenso, poderia ser divididos em capítulos semanais.
abraço,
Billy
Amigo Billy The Kid: com raríssimas exceções, artigos não são publicados em capítulos, e quando isso acontece geralmente são em jornais (em duas vezes), os quais devem ter, no máximo, 30 linhas. Já em Blog não há limite... Obrigado pela sua manifestação. Um abraço.
ExcluirComo de costume , um brilhante artigo !!! Já espero o da próxima segunda !!!!
ResponderExcluirMarco Albanez,como jornalista de formação,com dever de informa a verdade é muito descaramento seu dizer que em Cuba se vota com um rifle na cabeça.Conheço gente de Oposição ao Gov. Cubano e pessoas neutras ao regime que são natos ou moraram lá.e nunca falaram sobre isso.Quem sabe bem de tu é a CPI de Cariri.pare de mentir
ResponderExcluirTodo respeito a sua opnião,agora ás mentiras e pau.
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