Procedimento pede remoção imediata dos resíduos flagrados em Rio Doce. Morador diz que há 4 anos vai ao local buscar brinquedos velhos para doar.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil para cobrar a limpeza adequada da praia de Rio Doce, em Olinda. O documento, publicado nesta sexta-feira (11) noDiário Oficial, orienta a Prefeitura a fazer a retirada dos resíduos sólidos que se acumulam no local. No último sábado (5), o lixo foi flagrado pela reportagem do NETV 1ª edição amontoando-se na areia e poluindo o mar.
“A investigação visa, inicialmente, a remoção imediata dos resíduos sólidos que estão na faixa de areia e na lâmina de água. Mas também pede a intensificação da limpeza local, para evitar que a situação chegue a esse nível novamente”, explica a promotora de Justiça e Cidadania de OlindaBelize Câmara, que abriu o procedimento após assistir a reportagem da TV Globo. “Depois que vi, na matéria, a comparação da praia com um aterro sanitário, fiquei preocupada com a situação”, revela.
Para garantir que a limpeza seja realizada, o MPPE pediu que a Prefeitura de Olinda envie o relatório final do serviço nos próximos 15 dias. A recomendação foi expedida no final da noite de quinta-feira (10) e ainda solicita a intensificação da limpeza sobretudo no período chuvoso e a elaboração de um plano de fiscalização e limpeza periódico da praia de Rio Doce. Desta forma, pretende-se “erradicar por completo o acúmulo de resíduos no local”. A administração municipal também deve ser encaminhar este plano para a promotoria. O prazo para o envio é de 30 dias.
"A gente vai cobrar isso da prefeitura. A situação não pode ficar assim. A questão dos resíduos sólidos é muito importante, porque pode prejudicar o meio ambiente e a saude, provocando o contágio de doenças. E a limpeza urbana é de poder do município", ressalta Belize Câmara.
A Prefeitura de Olinda comunicou, por meio de nota, que limpa a orla todos os dias e que uma equipe da Secretaria de Serviço Públicos seria enviada à Praia de Rio Doce para identificar o problema e tomar as providências necessárias.
Sobre a recomendação do MPPE, a Prefeitura informa que ainda não foi comunicada formalmente. Através de nota, o governo municipal informou que atualmente sete homens realizam a limpeza da praia todos os dias e que novas lixeiras estão sendo colocadas em toda a extensão da Orla.
Nesta sexta-feira (11), a reportagem do G1 encontrou uma equipe de limpeza no local. Segundo os trabalhadores, a remoção dos resíduos começou nesta quarta (9) e deve ser concluída nesta sexta (11). No entanto, o lixo ainda ocupa boa parte da faixa de areia.
Há garrafas, sacos plásticos, tábuas de madeira, papel, brinquedos quebrados, sandálias perdidas, restos de comida ao longo de todo o trecho que vai do fim das pedras de contenção do mar até a imagem de Iemanjá, situada na divisa entre Olinda e Paulista. Tomar banho de mar sem topar com algum detrito também é impossível. Em alguns pontos próximos ao calçadão, os resíduos se acumulam ainda mais. São montes de lixo que não deixam ver sequer a cor da areia. Parece mais um lixão.
Segundo os moradores do local, o problema se estende há anos. O pescador Thiago Oliveira, 43, conta que, por isso, ninguém mais tem coragem de caminhar ou tomar banho no local. “Quem quer vir para uma praia suja dessas?.Ninguém. Então, para tomar banho, precisamos caminhar até lá mais na frente”, diz.
Ele revela que poluição também vem prejudicando o meio ambiente e, consequentemente, o trabalho dos pescadores. “O pescado diminuiu bastante por aqui. Antes, pegávamos muito peixe; mas agora não aparece mais quase nada. Hoje mesmo, joguei a rede e não consegui nenhum peixe”, revela o pescador, que resolveu catar marisco para ter o que levar para casa. No entanto, até os crustáceos parecem fugir da sujeira.
'Até dinheiro'
Só Vladimir Melo, 42, aprendeu a tirar proveito da situação. Ele mora em Jardim Fragoso, mas sabe do descaso enfrentado por Rio Doce. Por isso, vai frequentemente à praia em busca de brinquedos perdidos na montanha de lixo. Ele leva as peças para as crianças carentes da comunidade em que mora. "Elas adoram. Já estavam perguntando quando eu viria de novo", conta o segurança, que saiu da praia com a sacola cheia de presentes nesta sexta. Ele achou um boneco, um baldinho, uma bola e uma pá de brinquedo na praia, mas lembra que também já encontrou sandália, brinco e até dinheiro perdido entre as garrafas e latas descartadas.
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“Faço isso há pelo menos quatro anos. A praia sempre fica suja. Só de vez em quando uma equipe vem limpar. Mas o serviço é paliativo e não vem toda semana, não adianta”, afirma. Mas, mesmo com a alegria das crianças, o segurança espera que a prefeitura limpe a praia. Para ele, a vantagem seria bem maior. “A gente ia poder tomar banho”, acredita. Para isso, Belize Câmara lembra que a população também precisa fazer sua parte, parando de jogar lixo na orla, nas ruas e nos canais.







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