domingo, 11 de outubro de 2015

Cunha afirma que não renunciará, mesmo sob pressão ou sem apoio na Câmara

Deputado diz que tem amplo direito de defesa e que ninguém vai tirá-lo da Casa

 Agência Estado


 

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a afirmar, em entrevista por telefone à Globonews, que não renunciará à presidência da Casa, mesmo com os desdobramentos das investigações sobre contas bancárias atribuídas a ele na Suíça e o anúncio feito pelo PSOL de que pedirá a cassação do mandato do peemedebista. "Pode pressionar, eu não renuncio. Sem a menor chance. Podem retirar apoio, fazer o que quiserem. Tenho amplo direito de defesa. Não podem me tirar", afirmou Cunha. Ele disse ainda que um eventual processo de cassação deve ter início "de qualquer jeito", mas que "leva um tempo".


O Estadão revelou nesta sexta-feira (9/10) que documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça ao Brasil comprovam que um negócio de US$ 34,5 milhões fechado pela Petrobras em 2011, no Benin, na África, serviu para irrigar as quatro contas no país europeu que têm como beneficiários Cunha e sua mulher, Cláudia Cordeiro Cruz. Ela usou parte dos recursos para pagar gastos de cartão de crédito, academia de tênis nos Estados Unidos e cursos na Espanha e no Reino Unido.

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As contas bancárias na Suíça que têm o presidente da Câmara como beneficiário receberam ao menos R$ 23,2 milhões de 2007 a 2011, segundo as autoridades suíças. O caminho do dinheiro até chegar ao parlamentar é considerado pelos investigadores ainda mais relevante do que os 2,468 milhões de francos suíços bloqueados em 17 de abril. Convertido em reais pela cotação desta sexta-feira, o valor chega a R$ 9,638 milhões.

As autoridades suíças conseguiram bloquear apenas duas das quatro contas ligadas ao parlamentar. Isso porque o deputado encerrou as outras duas em abril e em maio do ano passado, após o início das investigações da Operação Lava Jato.

Em nota divulgada na sexta-feira (9/10), advogados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmam que o parlamentar não foi notificado nem teve acesso a qualquer procedimento investigativo que tenha por objeto atos ou condutas de sua responsabilidade e questionam o vazamento de informações das investigações protegidas por sigilo.

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