Só nos últimos dois dias, três motoristas de Uber foram vítimas de violência. Recomendação é de que os envolvidos percam a concessão
O Ministério Público de Pernambuco fez recomendações ao poder público para que medidas sejam tomadas com o intuito de inibir casos de violência que vêm vitimando motoristas e usuários de aplicativos como Uber. Só nos últimos dois dias, foram três ocorrências. Duas delas terminaram com feridos. À Secretaria de Defesa Social foram solicitadas ações preventivas e repressivas. Já à CTTU foi recomendada a abertura imediata de processos de cassação de taxistas envolvidos.
Três permissionários que agrediram um condutor na quinta-feira passada, na avenida Dezessete de Agosto, na Zona Norte, serão alvo de um ofício da Promotoria de Transportes a ser emitido ao órgão de trânsito na próxima segunda-feira. "Se Uber é legal ou não, não cabe ao taxista decidir e agir como o Estado. Quem seguir por esse caminho pode perder a licença”, afirma o promotor Humberto Graça.
Os suspeitos encurralaram o condutor do Uber perto do Plaza Shopping. Em imagens gravadas pela passageira que estava no veículo, um dos taxistas aparece dando um tapa no motorista do aplicativo. Três envolvidos foram identificados. Dois deles já prestaram depoimento na Delegacia de Casa Amarela. É a mesma unidade policial que investiga outro caso ocorrido nas proximidades, só que na madrugada de ontem. Um carro do Uber foi atingido por uma pedrada no vidro traseiro. Uma usuária do serviço ficou ferida na nuca, recebeu atendimento hospitalar, mas passa bem.
A ocorrência mais grave, entretanto, foi a que vitimou outro motorista do Uber em Jardim São Paulo, também de madrugada. Ele havia acabado de deixar dois passageiros em casa quando foi atingido no ombro por um tiro disparado por uma pessoa que estava em outro automóvel. Ele ainda lutou com o atirador, mas foi agredido com uma chave de fenda. A vítima foi internada no Hospital Otávio de Freitas e se encontra estável. Conforme uma testemunha, além de condutor do Uber, o homem também era taxista. O caso é investigado pelo DHPP. O carro já passou por perícia.
Violência
Diante do agravamento do impasse entre taxistas e adeptos de aplicativos como Uber no Recife, órgãos de segurança pública começam a olhar o assunto com preocupação. A direção da Polícia Civil pretende se reunir, nos próximos dias, com a gerência geral do Ciods com o intuito de traçar estratégias e impedir que as ocorrências, ainda consideradas pontuais, tomem proporções maiores.
“Vamos reunir o diretor integrado metropolitano e conversar com a coordenação do Ciods para que a gente visualize o que pode ser feito além das ações atuais. Isso passa por uma resposta rápida da Polícia Militar, que, naturalmente, tem que ser informada o quanto antes por quem se sentir agredido. E no que cabe à Polícia Civil, fazer o registro. Será possível dar atenção especial a esse tipo de ocorrência e elevar o tempo resposta. Essa violência não será tolerada”, explica o chefe da Polícia Civil, delegado Antônio Barros.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco, Everaldo Menezes, diz que vem se esforçando para conscientizar a categoria sobre a necessidade de diálogo, mas cobra uma posição do poder público. “Temos feito nossa parte, nos reunindo com o MPPE e com o Governo. Mas tem havido demora em tomar uma posição. E, do outro lado, como se espera que esteja o emocional de um taxista que fazia 15 corridas numa noite e, hoje, faz só duas por causa do transporte irregular?”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário