Segundo a presidente afastada, "o Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história"

A presidente afastada Dilma Rousseff divulgou, nesta terça-feira (16/8), uma carta com o título "Mensagem da Presidente da República Dilma Rousseff ao Senado Federal e ao povo brasileiro". No texto, ela pediu o encerramento do processo de impeachment e, caso isso não aconteça, a convocação de um plebiscito para consultar a população sobre novas eleições antes de 2018.
O intuito é reverter alguns votos em seu favor no julgamento final que começará no próximo dia 25. No texto de quatro páginas, a petista usa o termo "golpe" para se referir ao impeachment caso seja consolidado e assume uma série de outros compromissos. São necessários 54 votos os 81 para consumar o impedimento.
LEIA A CARTA NA ÍNTEGRA
Na leitura da carta, feita no Palácio da Alvorada durante quase 12 minutos, Dilma afirma que "ouviu críticas duras ao seu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas". Segundo ela, a consulta é o caminho para o restabelecimento “pleno” da democracia.
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Segundo a presidente afastada, “o Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o país”. A leitura começou com quase uma hora de atraso. Dilma estava acompanhada por Ricardo Berzoini, Aloizio Mercadante, Miguel Rosseto, Jaques Wagner e Eleonora Menicucci, que foram ministros durante seu governo.
Golpe
No texto, a petista reafirma ser inocente e afirma que, caso o Senado a julgue culpada, haverá o rompimento da ordem democrática de direito. “Afirmamos que, se consumado o impeachment, teríamos um golpe de estado. Um colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição direta”, disse.
Dilma chegou a fazer um acordo com senadores aliados para retirar a palavra "golpe" da carta, mas o termo apareceu duas vezes.
Ela ainda disparou críticas indiretas ao governo interino e ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que aceitou o pedido de impeachment, no início. "Ao contrário dos que deram início a esse processo ilegal, não tenho contas no exterior, nunca desviei um centavo e não recebi propina de ninguém", afirmou.
"Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições”, diz um trecho da carta. A presidente afastada se reuniu com várias pessoas para elaboração do texto, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


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