Por Marco ALBANEZ*
Mark Twain, pseudônimo de Samuel
LanghorneClemens (1835-1910), foi um escritor norte-americano que quase tudo
que dizia, acontecia ao contrário e/ou dava errado. Segundo ele, são
necessárias duas pessoas para uma calúnia prosperar: “um inimigo caluniador e
um amigo para contar a história”. Ora, quem conta não é amigo. Quem conta são
os falsos amigos. E na política, são raríssimos os amigos de verdade, ou seja,
todos têm falsos amigos. É uma praga universal tão velha quanto a história da
humanidade. Há muito dos sete pecados capitais nas relações de falsa amizade. O
mais visível deles é a inveja. Os falsos amigos invejam o que imaginam que o
outro tem ou possa vir a ser, muitas vezes sem ter e sem que venha a ser o que
o abutre pensava. Idealizam a pessoa invejada e lhe torna alvo de seus petardos,
frutos da sua própria hipocrisia, mesquinhez, pequenez e não da suposta
grandeza do outro. Existe, igualmente, entre várias, uma característica própria
dos falsos amigos: a encenação, simbolizada pelo engodo e pela mistificação. Os
verdadeiros amigos têm gestos sinceros e discretos, enquanto os falsos amigos
são ruidosos, expansivos, sacanas, canalhas... e fervorosos.
Na verdade, há os que não acreditam em amizades. Mas
não é bem assim. Ou é? Mesmo em se tratando de política, há amigos de verdade
ao longo das nossas trajetórias vitalícias e permanecem ao nosso lado nos
momentos bons, nos momentos ruins, em todas as ocasiões; e há amizades
circunstanciais que se desvencilham pelas próprias mudanças de estados de
espírito e civis, principalmente quando esses “amigos” ficam trêmulos ao
imaginarem que pode faltar luz no final do – seu – túnel... e vão em busca de
abrigo num habitat, como costumo dizer, pertencente aos germes e as bactérias
que começam a devorá-los sem dó e sem piedade. Um belo e merecido castigo para
esses canalhas que estão “sincronizados” com a má-fé, cujo pressuposto é o
interesse pessoal. Poucas pessoas entendem, sobretudo aquelas que vivem no
mundo surrealista da política, no qual são despejados dejetos que juntam-se aos
ninhos de aves de rapinas. O amigo leal é uma espécie em extinção.Se pararmos
alguns segundos, dá para ver no espelho quais são as suas reações num momento
de decisão, seja ela certa, seja ela errada. Por isso é tão importante
“avistar” ou sentir um sinal de maturidade para não compactuar com os falsos
amigos. Não é preciso agredi-los, basta distanciar-se ou dar sinais inequívocos
da inexistência de intimidade. Desprezá-los. Desconfie dos que lhe afagam ou
agridem, elogiam ou a todos criticam e procuram ser íntimos, ao mesmo tempo em que
transmitem mazelas sobre amigos comuns, porque, na primeira oportunidade, farão
o mesmo com você.
Estou escrevendo e pensando: um “simples” artigo
abordando um tema tão sério – e paradoxalmente cotidiano no mundo político – é
suficiente para abrir a “caixa preta” que está escondida em alguma parte da
mente desse “amigo”? Como saber se ele não passa de um mau-caráter, de um
bom caráter ou se não tem caráter?A política vai passando, os dias vão-se embora
e com eles vai-se a formação de alguns seres humanos.Sim, eu sei, dissipar essa
dúvida é cruel tamanha a vulgarização do vírus dessas desgraças que se dizem amigos
mas que não passam de oportunistas, ingratos e bandidos cuja arma “mortal” é o
empirismo(?), até porque, é como diz um provérbio latim, “Verumvelle, parum est”.(De
boas intenções está o inferno cheio.) Em palavras mais “leves”, pessoas
dessa natureza nem o diabo está querendo.
Não há mistério: existem seres humanos que não
podem, e nem devem, ser chamados de "seres pensantes", mas sim de
vírus: eles destroem as células boas e aos poucos vão matando pessoas,
assassinando sonhos e sepultando caráter.É tão impressionante quanto um homem –
desculpas, um amigo sem caráter – que vende a sua alma ao diabo por tão pouco. (No
máximo, 30 dinheiros.) E quando vende, acaba "destruindo" famílias e
machucando pessoas. A troco de quê? Simples: é o “DNA” da hipocrisia e os
“fatos” acontecem quando a campanha política se aproxima. E tem eleição no
próximo ano. E então? O povo deve escolher quem de fato é o melhor para o
município e, obviamente, para a população. Chega de perseguições por parte de
pessoas que se acham o dono da bola. Chega de traições de pessoas que se dizem
amigos, que se dizem companheiros e que, no fundo no fundo, o que querem é
apenas derrubar aqueles que pensam em trabalhar de forma honesta e
profissional.
“Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso
cenário de dementes”. Essa frase polêmica, mas verdadeira, é de Shakespeare,que
nos dá uma base sólida para podermos entender, mais ou menos, como funciona o mundo
em que vivemos, haja vista que estamos cercados de trevas por todos os lados e
raríssimas são as luzes que acendem ao nosso redor. Mas ao meio desse entulho,
há um outro problema: identificar um falso amigo consiste no fato de que ele é
um mestre em manipulação, criando estratégias inteligentes e astutas para se
aproximar daqueles de quem irá tirar proveito. Como se observa, descobrir a
verdade sobre ele é um processo altamente complexo, por conta das“qualidades”
demagógica, diplomática e herege que o mesmo ostenta. Como diria o “eterno”prefeito
de Sucupira – lembram-se da novela “O Bem Amado”, do Dias Gomes, salvo engano?
– Odorico Paraguaçu, “esqueçamos os entretantos e vamos
aos finalmentes”, ou seja, em outras palavras o que quero dizer é o seguinte:
você está lidando com um ator, aliás, pior do que isso: um ator profissional,
desses de estrelar filmes hollywoodianos contracenando com os pares Angelina
Jolie e Brad Pitt ou Catherine Zeta-Jones e MichaelDouglas (ambos, casados na vida real).
Sendo assim,
ele ostentará um lado exterior sempre perfeito, contudo, por dentro (sua parte
invisível) não passa de um ser em decomposições moral, mental e material. Desse
modo, ele trabalhará para o seu sucesso enquanto puder sugá-lo até atingir o
seu alvo e alcançar o seu maligno desejo. Se não der certo e a sua visão – ou
instinto –não puder alcançá-lo, ele juntará forças e pelejará contra você. Têm
alguma dúvida? Os exemplos estão lá, acolá, por aí... e aqui.
O que mais entristece em toda essa parafernália imoral, é saber que o vírus
da sua falta de caráter insiste, e assim continuará, em contaminar pessoas
decentes. Mas (adoro esse mas!), como disse num artigo anterior – “Os
Vira-Casacas” –, ele aprecia o que você tem ou pode ser e não o que você é ou
poderá ter. Destarte, devemos nos distanciar desses falsos anjos para que
possamos não ser meras marionetes nas mãos desses falsos amigos, que além de
terem “cara de pau”, não possuem índole e são detentores de uma alma negra, tal
qual um demônio que habita no lago de fogo.
(Diante dos atentados terroristas ocorridos no
último 13 em Paris, nem penso em falar em Alá, o Senhor dos muçulmanos – cuja
crença tenho o maior respeito. Mas também tenho o meu Deus, que é minha fonte inspiradora;
o meu Deus,a quem tenho devoção; o meu Deus, que alimenta a minha fé;o meu Deus,
que me dá liberdade de expressão... e por isso posso falar em Buda.)
Buda (que viveu no Século VI a.C.), o Senhor de
algumas populações, principalmente asiáticas e orientais, era filho de rei e
rainha.Tinha uma vida isolada no palácio até os 15 anos, quando fugiu algumas
vezes com a ajuda dos seus servos para conhecer o mundo exterior. Ao descobrir a
realidade da vida (miséria, fome, perseguição, pobreza extrema, doenças),
renunciou a sua riqueza e ao seu trono para se constituir num dos mais notáveis
acontecimentos da humanidade. Pena que os pústulas não alcancem o significado
de que a sua própria vida representa, ainda, o caminho a seguir por todo aquele
que se esforça para descobrir o sentido da probidade e se libertar do “dom” da
traição.
Em consequência, sem esquecer os ensinamentos dos
Deuses – e todos os credos religiosos – que iluminam e guiam a humanidade, a
sua crença, o seu comportamento etc, não é difícil explicar que tudo na vida
tem um significado profundo, mas que nem todos conseguem entender. Ou não
querem entender. De qualquer maneira, bastaria, ao menos, procurarem saber o
porquê do aparecimento quase simultâneo de grandes homens que nos leva a
indicação de um engrandecimento espiritual daquela época e que, nos dias
atuais, não está sendo levado a sério.
Não posso culpá-los por terem falsos amigos. Muito menos por ainda não
descobrirem quais aquelas pessoas que realmente merecem a sua amizade.
Mas posso lhes pedir, sem medo de poder estar errado, que jamais esqueça
o que disse Buda:
“UM
AMIGO FALSO E MALDOSO É MAIS TEMÍVEL QUE UM ANIMAL SELVAGEM: O ANIMAL PODE
FERIR SEU CORPO, MAS UM FALSO AMIGO IRÁ FERIR A SUA ALMA.”
*Marco ALBANEZ
É
advogado (OAB-PE nº 7.658) e jornalista (AIP nº 2.163 e DRT/PE nº 3.271)
Grande Marco.
ResponderExcluirOtimo artigo. Infelizmente estamos com um enorme plantel de péssimos políticos e consequentemente uma enorme possibilidade de desfazer boas amizades por conta de alguns que não são capazes de realizar uma politica decente e batem de frente com os amigos. Veja os "amigos" do Cerveró, doidinhos que ele não abra a boca, em troca, dinheiro e um passeio de avião, se ele entra nesse avião, nunca mais ele fala, realmente.
Forte abraço. Anselmo Gouveia.
Boa!
ResponderExcluirCaro Dr. Marco Albanez, cada vez mais seus artigos se revestem de uma aula de conhecimento, engrandecendo seus leitores, parabéns !!!,
ResponderExcluirAbraço,
Billy
FIlosofou bonito !!!
ResponderExcluirFantástico. Me lembra os amigos dos prefeitos de São Lourenço. Sim, aqueles cretinos. Parabéns, amigo Marco.
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