segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

DESESPERO POLÍTICO

Por Marco ALBANEZ*

               Qualquer psicólogo, mesmo estando ele num dos seus piores dias e, o que é mais “complicado”, como a maioria da população brasileira, enfrentando crises econômica, financeira e moral, que foram geradas por uma relação promíscua entre uma prostituta chamada política e alguns “políticos” – que dessa prostituição dependem para sobreviver, pois não passam de bandidos –, faz-nos considerar o desespero, sim, o “verdadeiro” desespero, apenas uma extrema irritação, uma pequena angústia, uma inatacável aflição ou, “muito mais” – ou menos? – do que isso, apenas um substantivo masculino que caracteriza um comportamento de transtorno, de descontrole, de desalento e até de perturbação? Mas (não poderia terminar o ano sem citá-lo), apesar de ser um simples – em sentido figurado – indicativo do verbo desesperar, não é que o danado atingiu e continua atingindo, na ferida, o sentimento hipócrita de alguns germes que vestem paletó Armani, usam sapatos ingleses, meias e gravatas italianas, cujo “investimento” não passa de um percentual irrisório em relação ao que essas desgraças roubaram do povo brasileiro?


              Sincera e francamente, antes de fazer uma “varredura” naquilo que me leva a escrever este Artigo, vou tentar poupar da minha ira – que é a mesma da esmagadora maioria dos brasileiros que, lamentável e infelizmente, não podem se manifestar como faço agora – sobre esses políticos cretinos que não apenas roubaram, e, pasmem, continuam roubando o meu, o seu, o nosso dinheiro, dando um exemplo a título de introdução ao que vou falar “lá na frente”: eles “estupraram” a nossa crença, a nossa razão de vida e, não satisfeitos, indiretamente eles destroem milhões de famílias. E tudo tem a ver, acreditem, com uma expressão popular muito conhecida: “estamos comendo o pão que o diabo amassou”, pois essas bactérias que têm como habitat a podridão que norteiam as suas vidas públicas, foram além: mutilaram a esperança de todos que neles acreditavam.

              Sei o quanto serei criticado e, se der chance, “esfaqueado”, por estar afirmando que muita gente está custeando as suas (deles, os salafrários) despesas do café da manhã com libra esterlina, do almoço com euros e do jantar com dólares. As farras? Bem, essas podem ser bancadas – e são – com a nossa moeda mesmo, pois se tratando de putaria com prostitutas vestidas, elegantemente, de roupas vermelhas (com minhas desculpas a elas que não merecem a comparação), sem limites, seja em motéis, seja em apartamentos pagos por empreiteiras,  seja com bebidas e até drogas em alguns casos, seja em qualquer “lugarzinho” do prédio do Congresso Nacional, assembleias legislativas, câmaras municipais ou de qualquer repartição pública. Inventei alguma coisa ou disse algo que possa configurar uma mentira?

              Com relação a ela (calma!) não posso ser irresponsável de acusá-la de ”atos vulgares da prostituição”, mas posso dizer que seu desespero é tamanho e tão visível que vou poupá-la, por alguns décimos de segundo, de acusações públicas e notórias, já que o início do seu fim não tem mais controvérsias. Além do mais, falar de uma insana como a presidenta Dilma Rousseff não tem mais graça. Deixa os “parlamentares” perturbarem a vida dela, com ataques, impeachment, cargos, delação premiada, liberação de verbas etc. O STF deu o pontapé inicial do “jogo da morte”.

              Vejamos, como exemplo, o desespero político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Possuidor de uma trajetória política extraordinária, cujo início foi o “berço esplêndido” do hino populista, depois de ser “mordido pela mosca azul” e, consequentemente, de “deitar e rolar” com o poder, tornou-se uma pessoa sem o menor sentimento da misericórdia e muito menos da obrigação, pelo que representava, de ser honesto – e nunca apenas aparentar sê-lo. Pois bem. No seu primeiro ano de governo (2003), “sem nada saber”, viu “estourar” o “mensalão” e com ele perder e abandonar inúmeros amigos. Mas escapou. Em seguida, mais 101 escândalos, de todos os tipos e tamanhos. Para encurtar seu drama, após a conclusão do seu segundo mandato, elegeu um poste – como disse antes, sem comentários – e do seu legado surgiu o “Airbus A-380” batizado como Operação Lava a Jato, cujo desfecho, queiram ou não, vai atingi-lo, como atingiu Delcídio Amaral e começa a atingir dois políticos canalhas que se faziam de inocentes: os senadores Jáder Barbalho e Renan Calheiros. Por isso – e a opinião é generalizada – ele anda insone, “talvez” a espera de que nada aconteça ou de que tudo venha acontecer. É o seu drama. Segundo amigos próximos a ele, o petista não consegue sossegar a cabeça no travesseiro. Dormir? Nem pensar, salvo na base de tranquilizantes. A prisão de pessoas “muito mais que amigas” e que estão dispostas a fazer delação premiada, leva ele ao desespero, principalmente pelo que “não esperava”: notificado judicialmente para prestar depoimento (que “explicações” dará?) sobre o seu filho Lulinha, um ex-funcionário de um zoológico e hoje um homem milionário, implicado nas falcatruas  descobertas pela Operação Zelotes. Nem quando recebeu o diagnóstico de câncer na laringe, em 2011, o petista demonstrou estar tão apreensivo como agora. O porquê só ele – e 99% da população brasileira – sabe. Realmente, a sua vida virou um “montão de infernos”. A vida do menino de Caetés que “nasceu analfabeto”, como costuma apregoar sempre que tem oportunidade, não está nada fácil.

             O título da principal reportagem IstoÉ, tão logo “estourou” a Operação Lava a Jato, foi “Lula Perde o eixo”. Segundo a matéria, Lula está (e continua) vivendo o pior momento da história da sua vida. Já a Veja, traz extensa reportagem de mais der 10 páginas com revelações estarrecedores do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, um dos maiores amigos do ex-presidente, na delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. E, para completar, a revista Época tem como título de capa “A ruína da era Lula” e o texto chega a ser cômico: para um presidente que nada viu, nada sabe e nunca ouviu, é difícil entender as suas viagens internacionais para proferir conferências (?) que, ao que parece, escassearam depois do estouro da boiada. Em síntese, a política econômica populista, que, como hoje se constata, não tinha possibilidade de se sustentar, provocou a catastrófica crise que aprisionou Dilma Rousseff no figurino de um zumbi, reduziu a pó o capital político do PT e transformou Lula num náufrago que se agarra à miragem de sua candidatura em 2018. Ele de novo? Não, não vai funcionar. Sabe de uma coisa?! Vamos deixar o de cujus político para lá? Já tem muita gente cuidando do “futuro” dele.

           Na verdade, é preciso deixar bem claro que a história mundial está repleta de exemplos inspiradores. E a saga brasileira, também. Os defeitos pessoais e as limitações humanas dos homens públicos, inevitáveis e recorrentes como as chuvas de verão, não matavam a política. Hoje, no entanto, assistimos ao advento da pornopolítica e ao avanço de um inclemente deserto de lideranças. A vida pública, com raras e contadas exceções, transformou-se num espaço mafioso, numa avenida transitada por governantes corruptos, políticos cínicos e gangues especializadas no assalto ao dinheiro público. (Viram o que aconteceu, no último dia 15, com o presidente da Câmara Eduardo Cunha, senadores Edson Lobão e Fernando Bezerra Coelho, além de diversos deputados, dois ministros de Estado, bem como com outros bandidos de 5ª categoria?) Não bastasse tudo isso, e não é pouco, o Brasil foi tomado por um grupo disposto a impor à sociedade um modelo ideológico autoritário, hipócrita e, como disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, imbuído na eternização do poder através da corrupção.

              O Frei Beto – quem diria –, tem uma opinião insuspeita. Segundo ele, “nas favelas que se multiplicam por todo o País, se encontram hoje barracos devidamente equipados com geladeira, eletrodomésticos, televisores moderníssimos, às vezes até mesmo carros populares e outros objetos de consumo, mas quando saem porta afora as pessoas não encontram escolas, postos de saúde e hospitais decentes, transporte público eficiente e barato, segurança adequada, enfim, os bens sociais que são muito mais essenciais a um padrão de vida digno do que os bens de consumo que lhes oferecem a ilusória sensação de prosperidade”. Concordam?

               A Operação Lava Jato vai compondo um quadro de corrupção que arranhou gravemente a história, a saúde financeira, a marca e o futuro de um ícone do Brasil: a Petrobrás. Lula e Dilma estão no olho do furacão. Estão desesperados – os exemplos estão “pela aí”. Enfrentam uma crise política gravíssima por escassez de ética e de moral. Aliás, quem testemunha as confidências de Lula na ampla sala de reuniões de seu Instituto, sediado na Capital paulista, não chega a ficar surpreso com o destempero verbal apresentado pelo petista nas reuniões de cúpula. Não se pode dizer o mesmo da maioria expressiva da classe política, impossibilitada de privar da intimidade do ex-presidente. De tão pesados e surpreendentes, será que os ataques de Lula a Dilma e ao PT são recebidos com perplexidade? O primeiro tiro foi disparado numa reunião com padres e dirigentes religiosos. Nela, Lula admitiu, em alusão ao nível baixo do sistema da Cantareira (principal barragem que abastece parte da população de Sampa), “que ele e Dilma estão no volume morto. E o PT está abaixo do volume morto”. Pois é, o “Rio Doce do PT” não atingiu apenas cidades mineiras e capixabas. Atingiu o Brasil!

                Falar mais o quê? Que 2015 foi só um número no calendário? Que 2016 não passa de um ano “natimorto” (espero estar errado)? Sim, porque além da crise e novos escândalos (alguém duvida?) o tempo será “preenchido” com carnaval, semana Santa, festas juninas, Olimpíadas, campanha eleitoral e eleição...
               Não acredito que os políticos ou aqueles que “se dizem políticos” nunca tenham ouvido falar no famoso filósofo espanhol Miguel de Cervantes, autor do romance satírico "As Aventuras do Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha", que, para os que não sabem, é o segundo livro mais lido pela humanidade depois da Bíblia. Moral “histórica” dessa “bagunça”: estamos no Século XXI, mas já no Século XVI ele já profetizava, abrindo ferida na moral e no ego de muita gente que nunca teve o corte cicatrizado, que  

“Não existe maior loucura no mundo do que                                          um homem entrar no desespero.”

*Marco ALBANEZ

É advogado (OAB-PE nº 7.658) e jornalista (AIP nº 2.163 e DRT/PE nº 3.271)




6 comentários:

  1. Muito bom Marcão.

    Cacete n essa cambada de ladrão !!!!!!



    Fernando

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  2. Prezado amigo.
    No meio dessa bagunça política que encontra-se nossa Nação, estamos nós, sofrendo, angustiados, temerosos de sermos atingidos por novas medidas governamentais elaboradas atabalhoadamente por esses políticos corruptos e indecentes. Estamos vivendo nesse tormento, na ansia de dias melhores, quiçá não tarde a chegar.
    Forte abraço.
    Anselmo Gouveia.

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  3. Severino José de Mélo21 de dezembro de 2015 às 09:30

    Dr. Marco Albanez, mais uma aula de historia , esse seu artigo. Muito bom. Que sirva de alerta para os eleitores incautos.

    abraço,

    Billy

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  4. Severino José de Mélo21 de dezembro de 2015 às 09:46

    Dr. Marco
    Salvo engano o escândalo do Mensalão explodiu em junho de 2005.

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    1. Você está certo, caro Billy. Desculpas pelo engano. São tantos escândalos que as datas "manipulam meu" raciocínio.

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  5. Cabra macho arretado. E sabe escrever viu?. Agora vou acompanhar seus artigos. A dica me foi dada por meu amigo Walter. Parabéns Albanez. Cacete nesses vagabundos. Célio Castro Mélo.

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