segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

EXPECTATIVA DA VITORIA À DERROTA


De Marco ALBANEZ*

Há uma grande expectativa com relação às eleições municipais do próximo ano, sobretudo porque as crises moral e financeira “bombardearam” os chefes dos poderes executivo federal, estaduais e municipais, estes, por analogia – e realidade –, os mais prejudicados, principalmente aqueles que vão enfrentar uma reeleição “sem lenço, sem documento” e sem dinheiro, já que 90% das prefeituras encontram-se “quebradas” ou, como costuma dizer seu “Zé da Tapioca”, na míngua, pois até um dos direitos mais sagrados dos servidores públicos será pago na base do “jogo” da porrinha: paga-se o salário de dezembro ou o 13º salário? Portanto, não há mistério em se dizer que tais dificuldades terão influência significativa naqueles prefeitos candidatos à reeleição.


Não pretendo aprofundar qualquer relacionamento entre esses “achados” e a descrição de comportamento diante de crises política, econômica, financeira e moral – por culpa do governo petista, diga-se de passagem – e as mudanças ocorridas no discurso do Partido dos Trabalhadores ao longo das últimas décadas. Tampouco é minha intenção responsabilizar as estratégias discursivas pelas derrotas, pois sei que o sucesso de uma campanha depende não apenas do seu discurso, embora este seja uma peça-chave do processo, mas de como uma administração haverá de se comportar, em termos de investimentos – sim, porque de custeio virou zona –, a partir do início do próximo ano. A propósito, o objetivo deste artigo é tentar analisar, e não julgar, os discursos que irão anteceder a eleição com a maioria deles “recheada” de mentiras, engodos, promessas e o “diabo a cinco”, já que o “diabo a quatro” já era: perdeu para a hipocrisia política e para a inflação que, ao contrário do que a equipe econômica do desgoverno petista dizia, já ultrapassou os dois dígitos.

Em muitas das derrotas – porque nas vitórias os coordenadores, marqueteiros e sei mais lá o quê, são os heróis – é difícil absorver a tristeza resultante de uma expectativa não atendida. Parece que todo o esforço foi em vão, ou, talvez, um desperdício de tempo. É uma sensação densa, pesada, que desmotiva, desanima e tira qualquer intenção de se movimentar novamente na direção de uma e possibilidade – e probabilidade – que, muitas vezes, deixa de ser uma determinação do candidato para tornar-se um sonho que, dificilmente, poderá ser realizado. Para sair dessa incômoda sensação, é necessário tentarmos compensá-la através de estímulos que nos trazem algum tipo de prazer. Na realidade, como disse o blogueiro Sidney Oliveira, “com muita facilidade direcionamos toda energia, que antes estava na expectativa, para as fontes do prazer, o que não deixa de ser uma ‘fuga’ motivada pela necessidade de obter algum retorno pelo esforço feito”. Mas (adoro!) é nesse esforço que está justamente à origem da dificuldade, já que quando estabelecemos algum objetivo, lutamos para alcançarmos aquilo para o qual lutamos. Para isso, estabelecemos planos e fazemos escolhas que resultarão em ações que esperamos sejam recompensadas pelo alcance do objetivo. Todavia, seria de bom alvitre lembrar aos candidatos que todas as suas ações têm um custo pessoal – financeiro? Nem falar – e não gostamos de sentir que estamos desperdiçando nossos esforços e nossos recursos. Em outras palavras, os candidatos querem receber algum tipo de pagamento para justificar os custos, mesmo que seja apenas do tempo gasto pensando no assunto. Se isso não acontece, surge a indignação, a revolta e a frustação.

Há uma outra questão que deve ser levada em consideração. Antes da tomada da decisão, não seria melhor evitar qualquer esforço na direção do objetivo para que o candidato não sinta o “ostracismo moral” (o “oferecido pelas pessoas ao candidato derrotado é ‘normal’, com raríssimas exceções”)caso algo não dê errado? O danado é que todo candidato está eleito e por isso não pensa no “Plano B”, aquele espiritual e psicológico. Precisa dizer que todo candidato a vereador diz que já está eleito? Concluída a apuração, os perdedores dizem que foram traídos. Ora porra, por que não levam a sério uma eleição? Por que não se preparam para qualquer que seja o resultado? Por que se iludem? Por que o por quê? (Com direito a trocadilho, pleonasmo e “o diabo a seis”.)

O criador de algumas “leis” sobre o dar certo ou o dar errado, foi o capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy– por isso, as tão comentadas “leis de Murphy” para toda e qualquer situação quando a incerteza está no podium. Dentre as mais de 100 a ele atribuídas, escolhemos algumas para que o candidato faça uma reflexão. a) se alguma coisa pode dar errada, dará. E mais. Dará errada da pior maneira, no pior dos momentos e de modo que cause o maior dano possível; b) um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos; c) nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto à explicação da ocorrência; d) tudo leva mais tempo do que o tempo que você tem disponível; e) se há possiblidade de várias coisas darem erradas, todas darão – ou a que causar maior prejuízo; f) se você perceber que uma coisa pode dar errada de quatro maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada.

                Mas, também dele, três “leis” tornaram-se famosas e acreditadas. Uma delas diz que “se a coisa tem tudo para dar certa, ela pode dar certa, mas pode dar errada”.A outra: “se uma coisa tem tudo para dar errada, dificilmente ela dará certa”; e, por fim, “nada está tão ruim que não possa piorar”.(E está ruim “prácaraca”.) Traduzindo todas na realidade dos fatos, acredito que o melhor caminho seja aprender com as frustrações da derrota, é reavaliando as ações que teve para que o resultado não fosse atingido como esperava. Aliás, em certas situações, basta apenas um realinhamento da expectativa, mas noutras vezes, é melhor avaliar se as escolhas são realmente corretas para o objetivo que se espera alcançar. De qualquer modo, o melhor resultado sempre irá depender de como você absorve as frustrações, ou seja, o candidato vitorioso pode se vangloriar com o“É possível, mas é tão difícil” ou “É tão difícil, mas é possível”.E o derrotado? Fica a sugestão, sem falar que, antes, tem que tirar o “sapato alto”, a “máscara” do narcisismo, a “patente” do egocentrismo, a confiança em quem confia desconfiando, o enigma de que é o todo poderoso:”Diga ainda não e menos nunca e assim poderá perceber como as frustações podem ser muito mais úteis para alcançar seus objetivos”.

                 Lógico que a derrota é crucial para o seu estado de espírito, mas, deixe de se lamentar, seja mais decente, mais honesto, mais leal, mais gracioso, mais solidário, mais humano, mais coerente, “mais... mais...”, porque, como bem diz o poeta “Zé da Laranja”,

“Só vence uma batalha quem não foge da luta. 
A derrota nós já temos, a vitória é que precisa ser conquistada!”

*Marco ALBANEZ
É advogado (OAB-PE nº 7.658) e jornalista (AIP nº 2.163 e DRT/PE nº 3.271)


8 comentários:

  1. Meu irmão , você esqueceu a melhor das leis de Murphy !



    “NADA ESTÁ TÃO RUIM, QUE NÃO POSSA PIORAR”



    Fernando Spanghero

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    1. Amigo Fernando,

      A "lei" foi mencionada, como você poderá observar, após o "grito" do querido colega. (A propósito, parabéns pelos artigos publicados na Folha de Pernambuco.)
      Abcs

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  2. Severino José de Mélo14 de dezembro de 2015 às 12:01

    Caro Dr. Marco Albanez,

    O seu artigo desta semana está muito bom, como sempre. As eleições de 2016 serão uma verdadeira "prova de fogo", não pelo potencial de um ou outro candidato, mas, pela mudança nos financiamentos das campanhas, ou seja, muitas surpresas poderão ocorrer. O tempo dirá...

    forte abraço,

    Billy

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  3. Prezado Amigo.

    Em um país onde impera a Lei de Gerson: "Tem que levar vantagem em tudo", os candidatos que não conseguem se eleger ficam deprimidos, decepcionados, depressivos, etc..., como exemplificas, mas não é apenas pela derrota, e sim, por não poder "mamar" nos peitos da corrupção, peitos esses que alimentam várias classes, em especial, a política. Rogamos ao Grande Arquiteto do Universo que São Lourenço da Mata, saiba escolher seu futuro gestor e que não sejam novamente decepcionados.
    Forte Abraço.
    Anselmo Gouveia.

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  4. É Marcos, pelo jeito alguém vai chorar e muito quando sair o resultado. Já tem tem chorando e se lamentando antes d eleição. Imagina depois.

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  5. EU DIGO A MESMA COISA MARCO!!! JÁ TEM GENTE CHORANDO COM A DERROTA QUE AINDA SÓ VAI ACONTECER DAQUI A 11 MESES!!! PERGUNTA A BRUNO, QUE NÃO PARA DE CHORAR kkkkkk

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  6. Marco: seus artigos são bons. Bem escritos. De fácil leitura. Gramaticalmente perfeitos. Tem sido muito lidos. Muita gente comenta, pois ouço por onde passo, inclusive na prefeitura, onde já ou vi muitas pessoas falarem que não entende como é que Gino não busca suas diretrizes e prefere se juntar a um bando de salafrários e corruptos, mas ele deve ter as suas razões... Enfim, apesar de tudo isso, volto a questionar pela segunda vez: QUANDO É QUE VOCÊ VAI TER A CORAGEM DE ESCREVER UM ARTIGO SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DO PIOR E MAIS CORRUPTO PREFEITO QUE JÁ GOVERNOU SÃO LOURENÇO DA MATA, QUE É SEU IRMÃO GINO ALBANEZ?. Vou continuar cobrando.

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    1. Digníssimo Anônimo: 1. Seus elogios, por incrível que pareça, não me comove. O que poderia me comover seria a sua identificação, pois, como tenho dito, o anonimato - além de outras coisas - é covardia e um câncer espiritual; 2. Sei o que escrevo, como escrevo e para quem escrevo. (Sem modéstia.); 3. Com relação a sua cobrança, não há mistério: só Deus criou o mundo em sete dias. Portanto, não posso falar sobre tudo em pouco tempo. Finalmente, tenha dignidade, honre as calças (ou calcinhas vermelhas, não sei!) que veste, se identifique e deixará de me cobrar.

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