
Em um país calejado pela má gestão da coisa pública, a construção de um estádio de futebol em Olinda entra para o rol de exemplos de dinheiro público mau gasto. Com último custo estimado em R$ 10.545.712,63 e projetado para servir de centro de treinamento na Copa do Mundo, o estádio Grito da República, em Rio Doce, deveria ter ficado pronto em dezembro de 2012. Prazo estourado em muito e que foi estendido para março ou abril de 2014. Entretanto, as obras ficaram 22 meses paradas, a Copa passou e veio nova promessa. De dezembro de 2014, no máximo janeiro de 2015, não passaria. Estamos em fevereiro de 2015 e nada de inauguração. E, como se as autoridades fizessem questão de mostrar o quanto o descaso é a marca indelével da sua relação com a população, a Secretaria de Obras do município, mesmo contactada por quatro dias consecutivos, não respondeu aos questionamentos da reportagem. Não se sabe, portanto, quando o estádio vai ser, finalmente, entregue à população olindense.

O nome escolhido pela prefeitura de Olinda para o estádio com capacidade para 10.700 lugares soa como o suprassumo da ironia diante de tamanho descaso: Grito da República – do latim res publica, “coisa pública”. A obra foi retomada em setembro de 2014 com a promessa de ser concluída em três/quatro meses. Passados cinco meses desde a volta dos trabalhos de construção, o avanço nas obras é evidente, porém muito aquém do que se deveria esperar. Principalmente para um estádio que, de acordo com as autoridades locais, já era suposto estar em uso.
É possível visualizar que o terreno já se encontra em fase de preparação para a base que vai receber o gramado. Os avanços, contudo, aparentam tímidos no que toca aos acabamentos, principalmente das arquibancadas, fase, como se sabe, bastante delicada de qualquer construção. As arquibancadas com várias pixações, inclusive, ainda refletem os tempos de total abandono da obra, que levou a população local ao desespero, atormentada pela criminalidade que assolava as redondezas.
Violência que, por sinal, embora tenha diminuído, segue a tirar o sossego dos cidadãos. Em setembro do ano passado, o secretário executivo de Obras, João Batista, havia prometido a construção do muro de fechamento do estádio. Algo que, como tudo neste estádio, ainda não foi concluído. Em volta da obra, junto ao canal que margeia a Avenida México, foi erguida uma mureta de não mais de um metro de altura. O que não impede a entrada de estranhos ao local.
“Ainda entram aí sim. Principalmente dia de domingo”, disse o comerciante Gilvan dos Santos. “Ontem mesmo tinha gente lá dentro. E de lá é muito fácil pular para dentro do condomínio, por causa da areia, que deixou o nosso muro baixo para quem está dentro”, queixou-se a estudante Mayhanne Cockles, que mora ao lado da obra. “A segurança por aqui é tão boa, que já levaram duas motos de dentro da minha garagem”, ironizou, complementando, Gilvan.
Mais problemasOutra reclamação constante dos moradores diz respeito ao canal, que fica por trás do que, espera-se, um dia vai ser o principal estádio de Olinda. Em setembro passado, a reportagem do Superesportes descreveu o cenário assim: “Tomado por mato e lixo, ele expõe os moradores a uma situação de insalubridade. Quando chove, piora tudo.” Cinco meses depois, a situação é a mesma.
É possível visualizar que o terreno já se encontra em fase de preparação para a base que vai receber o gramado. Os avanços, contudo, aparentam tímidos no que toca aos acabamentos, principalmente das arquibancadas, fase, como se sabe, bastante delicada de qualquer construção. As arquibancadas com várias pixações, inclusive, ainda refletem os tempos de total abandono da obra, que levou a população local ao desespero, atormentada pela criminalidade que assolava as redondezas.
Violência que, por sinal, embora tenha diminuído, segue a tirar o sossego dos cidadãos. Em setembro do ano passado, o secretário executivo de Obras, João Batista, havia prometido a construção do muro de fechamento do estádio. Algo que, como tudo neste estádio, ainda não foi concluído. Em volta da obra, junto ao canal que margeia a Avenida México, foi erguida uma mureta de não mais de um metro de altura. O que não impede a entrada de estranhos ao local.
“Ainda entram aí sim. Principalmente dia de domingo”, disse o comerciante Gilvan dos Santos. “Ontem mesmo tinha gente lá dentro. E de lá é muito fácil pular para dentro do condomínio, por causa da areia, que deixou o nosso muro baixo para quem está dentro”, queixou-se a estudante Mayhanne Cockles, que mora ao lado da obra. “A segurança por aqui é tão boa, que já levaram duas motos de dentro da minha garagem”, ironizou, complementando, Gilvan.
Mais problemasOutra reclamação constante dos moradores diz respeito ao canal, que fica por trás do que, espera-se, um dia vai ser o principal estádio de Olinda. Em setembro passado, a reportagem do Superesportes descreveu o cenário assim: “Tomado por mato e lixo, ele expõe os moradores a uma situação de insalubridade. Quando chove, piora tudo.” Cinco meses depois, a situação é a mesma.

João Batista, secretário executivo de obras, havia prometido “uma grande ação para limpeza do canal.” De acordo com os moradores da região, nada foi feito. “O canal continua sujo, quando chove alaga tudo”, lamentou a vendedora Tatiane Maria. “O canal continua uma imundice”, reclamou Gilvan dos Santos. O aposentado Wilson Bion, 70, também demonstrou seu receio. “Estou com medo das chuvas. Vai invadir todas as casas.”
Perguntas sem respostasDurante quatro dias consecutivos, a reportagem tentou obter informações acerca do andamento das obras por parte da secretaria de obras de Olinda. Primeiro, com a assessoria de imprensa do município, que recomendou que se falasse diretamente com o assessor de imprensa da referida secretaria. De todas as dúvidas que ficaram por ser elucidadas, apenas uma foi respondida, pelo assessor Daniel Vilarouca. De acordo com Vilarouca, o estádio ainda não foi inaugurado devido ao falecimento do engenheiro responsável. Questões como o percentual de andamento da obra, o custo atualizado da construção e a previsão de inauguração, ficaram sem respostas, segundo o assessor, por falta de tempo na agenda dos secretários – Hilda Gomes e João Batista – para atenderem a reportagem. Há circunstâncias em que o silêncio, mais do que qualquer grito, é ensurdecedor.
CustosR$ 7,1 milhões era o custo estimado em 2008
R$ 10.545.712,63 era o custo estimado em setembro de 2014
R$ 7,75 milhões está a cargo do governo federal, através do Ministério do Esporte
R$ 2.795,712,63 é a contrapartida do município de Olinda
Com informações do Super Esportes
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